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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Assinado por baixo, palavra por palavra

Neste referendo, ganharam os que votaram “sim”. Ponto final. Não ganhou nenhum Portugal sobre o outro. Nenhuma civilização sobre outra. Nenhum modernismo sobre reaccionarismo. Ganharam os que entendiam que o abortamento, por opção da mulher, até às 10 semanas, num estabelecimento de saúde autorizado, deveria ser despenalizado.

Pretender ver nisto uma vitória partidária ou sociológica é de um absurdo sem limites. É não ver os resultados e é calar uma campanha inteira, onde se mostraram vários “não” e vários “sim”, onde se misturaram motivações de vária ordem e onde se mesclaram fundamentos e convicções diversas.

Digam o que disserem, escrevam o que escreverem, nada poderá apagar uma campanha que, pese alguns excessos, mostrou o melhor que Portugal tem, a pensar e a dar de si, a empenhar-se e a bater-se pelas suas ideias, sem partidos e sem coletes de força.

Quem quiser apropriar-se da vitória, assim como quem quiser remeter a vitória a terceiros, calará a sua voz no saco roto dos eleitores que foram à urna e depositaram aquilo que é seu e de mais ninguém: o voto.

Adolfo Mesquita Nunes, in A ARTE DA FUGA

Aborto - ouvidos por aí 2

Edite Estrela dizia, na noite eleitoral da TVI, que Portugal finalmente dera o passo que nos separava da modernidade.

Depois deste grande passo, eu digo que apesar de tudo ainda fica a faltar a OTA e o TGV e aí, sim, Portugal vai finalmente decolar da cauda da Europa dos 27 e ficar entre as grandes potências mundiais...

HAJA OPTIMISMO POR ENTRE AS HOSTES SOCIALISTAS!

Aborto - ouvidos por aí 1

Fernando Rosas ontem na TVI afirmava, peremptório, que muitos fiéis católicos tinham votado sim no referendo de ontem e que deveriam ser retiradas, daí, as devidas consequências.

Sem querer fazer juízos de consciência, ao contrário do Senhor Professor, pergunto: o que terá Fernando Rosas a ver com isto? Foi agora contratado como "ponta de lança" do julgamento da consciencia alheia ou é apenas mais uma manifestação da propensão bloquista para assumir o papel do Torquemada do século do XXI?

Muito sinceramente não acho que estas declarações sejam muito diferentes daquelas do senhor cónego que ameaçava de excomunhão quem votasse sim...

Aborto - lidos por aí 4

«Não somos nós que vamos ser responsabilizados se isto falhar, porque quem avançou [para a alteração da actual lei] já tinha de certeza todas as soluções pensadas». (...) «O primeiro-ministro e o ministro da Saúde, quando defenderam a interrupção voluntária da gravidez (IVG), já tinham, com certeza, definido no Orçamento de Estado o reforço de verbas para contratar mais pessoal.»
Bastonário da Ordem dos Médicos

Parece que o SNS, que não tem capacidade de fazer face a uma simples gripe, vai ter dificuldades acrescidas com uma liberalização do aborto que se faz de forma totalmente alheia às capacidades do sistema, quer a nível financeiro quer a nível de pessoal. Vamos a ver qual é a solução... se for o aumento da despesa do Estado estamos perante um verdadeiro e grave problema financeiro.

Aborto - lidos por aí 3

Daniel Oliveira, in Expresso

Querer tirar consequências políticas e afirmar a 'superioridade moral' (ou outra qualquer) da esquerda, (supostamente mais tolerante e mais alerta para os reais problemas da vida dos outros), é a prova final de toda a demagogia à volta deste referendo. Hoje o país continua exactamente o mesmo: a economia que não cresce; a inflacção que sobe; o défice que se agrava; as famílias que se individam; o sistema nacional de saúde à beira da ruptura financeira... tudo igual, só a esquerda folclórica é que teve folia por um dia!

Aborto - lidos por aí 2

João Pereira Coutinho, in Expresso

Muito bem dito, sim senhor! Fosse eu homem e esta segunda-feira tinha acordado com uma tranquilidade acrescida relativamente às minhas faculdades reprodutivas e consequente responsabilidade por elas.

Aborto - lidos por aí 1

«"De futuro é preciso haver um cuidado extremo nas matérias que são levadas a referendo", adverte Octávio Teixeira. Sónia Fertuzinhos, deputada do PS, admite que "terá de ser feita" essa discussão. Mas não para já. A prioridade ontem era outra: "Vamos festejar", gritou alguém. O hotel esvaziou-se: a folia prosseguiu no Bairro Alto

Não compreendo como é possível que, quando o que está em causa é uma questão tão angustiante como a escolha entre dois direitos igualmente fundamentais - a liberdade da mãe vs a vida do feto (porque no final de todas as dicussões jurídicas/políticas/sociológicas ou científicas é disso mesmo que estamos a falar), se brinde com champagne a vitória do sim e se vá comemorar... Esta vitória, mesmo sendo vitória, não é para comemorar. É para com ela fazer uma lei mais justa e menos penalizadora.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Pérolas argumentativas

"(…) nunca lhe ocorreu que às vezes há quem vá para a cama com os copos?"

António Figueira, em resposta a Vasco Pulido de Valente, sobre gravidez acidental

Frase apanhada de forma acidental (ainda que não com os copos) na Bloggosfera. Admito que o argumento é demolidor... PARABÉNS ao brilhante autor da pérola...

Mas, esperem lá... há aqui qualquer coisa que não faz sentido! Será que a este senhor nunca ocorreu que também há quem conduza com os copos sem que tal facto isente o alcoolizado da responsabilidade pelos seus actos? Curioso, eu tinha ideia de ter apanhado vários destes no PIC, quando fazia escalas...

Sobre o Referendo do Aborto

Surpreendentemente o artigo mais sensato que li sobre o referendo de 11 de Fevereiro foi este, de João César das Neves, o polémico João César das Neves que consegue com uma só frase irritar ambos os lados de uma discussão. (D)escreve, o autor, de forma simples e realista, o binómio de que se fala quando discutimos o tema da liberalização do aborto.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Coisas que me irritam

Ontem estava a ver a Quadratura do Círculo e ouvi o seguinte comentário do Dr. Jorge Coelho: «o Papa não condenou a execução de Saddam». E este tipo de comentário irrita-me! E sabem porquê? Porque é usar a religião para fins políticos... O Senhor Jorge Coelho, que ficou tão ofendido por o Papa não ter condenado a execução de Saddam, o que diz da condenação que o Papa faz, por exemplo, do Aborto? Isso já não lhe interessa, pois não? E porque razão iria o Papa falar de Saddam (e dizer que condena a sua execução) quando todos sabem que se há instituição que é genuína e doutrinalmente contra a pena de morte é a Igreja? E contra a pena de morte aplicada ao senhor Saddam, no Iraque, ao senhor John, no Texas, ou ao senhor Abdul, na Palestina! Indiferente!

Mas já tinha sido a mesma história com a Guerra do Iraque... era ver o Dr. Lorçã histérico por o Papa João Paulo II condenar a invasão... mas onde estava a atenção do Senhor Louçã às palavras desse mesmo Papa João Paulo II quando ele falava da cultura de morte, por exemplo?

Juro que esta mania dos políticos em usarem a Igreja e o(s) Papas só quando dá jeito me irrita. E muito!

terça-feira, dezembro 19, 2006

Um embuste

*


Neste cartaz está grande parte da argumentação que deixa o 'SIM' naquela posição incómoda de estar a defender o indefensável e a argumentar apenas à base de falácias.

Porque não é por o SIM ganhar a 11 de Fevereiro que acaba a 'humilhação' a que se refere o cartaz do Bloco de Esquerda. Essa humilhação, que trocando por miúdos é a punição do crime de aborto, previsto e punido pelo Código Penal, continuará em todos os casos em que o aborto seja realizado (i) depois das 10 semanas ou (ii) ainda que dentro das dez semanas, se fora de estabelecimento legalmente autorizado.

Juro que este tipo de argumentação me irrita. E MUITO!

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* Sobre este cartaz vale bem a pena ler este post, e sobretudo a troca de palavras, na caixa de comentários, entre Daniel Oliveira e os bloggistas do Não.

sexta-feira, março 04, 2005

«Girls Talk»???



Embora até possa concordar com a opinião de CAA, do «Blasfémias», não compreendo porque restringe o universo das 'interessadas' na mensagem, do já famoso padre NSP, às mulheres.

Embora algumas questões sejam, talvez, mais 'femininas' na sua essência - desde logo, só as mulheres abortam porque só as mulheres engravidam (helàs!) - não são apenas questões de mulheres.

O aborto, a procriação medicamente assistida, a contracepção (de emergência ou não), a investigação em células estaminais e embrionárias ou a clonagem são temas de homens e de mulheres. Qualquer outra interpretação a dar 'à coisa' ficará pela metade!