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sexta-feira, julho 03, 2009

Cultura à sexta



O Largo do Teatro São Carlos é o epicentro de um festival inédito em Lisboa, reunindo espetáculos musicais, bailado moderno e representação teatral em espectáculos ao ar livre, gratuitos e sempre às 22 horas.

O Festival ao Largo é composto por nove espectáculos musicais, cinco dias de bailado moderno e três produções teatrais. No total, são 18 noites com arte até 19 de Julho. A não perder!

O programa pode ser consultado aqui.

sexta-feira, junho 12, 2009

Cultura à sexta



Depois de um enorme intervalo, a cultura volta ao SLIH, sob o mote político.

O MUDE (Museu do Design e da Moda de Lisboa) abriu mais um andar com a exposição de cartazes políticos de nomes como, John F. Kennedy, Che Guevara, Arnold Schwarzenegger ou Obama.
"Ombro a Ombro. Retratos Políticos" atravessa todo o século XX, exibindo uma colecção de cartazes que representam grandes figuras políticas do nosso tempo.

Produzida pelo Museu de Design de Zurique, em colaboração com o Institute for Mass Communication and Media Research Zurich, estará no MUDE até 13 de Setembro.

Terça a domingo das 10h00 às 20h00
Sextas e sábados das 10h00 às 22h00!
Entrada Gratuita até 1 de Julho

sexta-feira, novembro 21, 2008

Cultura à sexta




ISTO É ARTE?
Visita

Como compreender e debater os desafios colocados pelas obras e os artistas nossos contemporâneos? O que aconteceu nos últimos cem anos de produção artística?

Tomando como ponto de partida a actual exposição da Colecção do CAM , esta visita promove um percurso panorâmico pelas grandes questões e desafios da Arte Moderna e Contemporânea, do início do século XX aos nossos dias, com particular enfoque na produção portuguesa do mesmo período.


23 Novembro (Dom.) às 12:00
Concepção e orientação Hilda Frias
Preço Bilhete de acesso à exposição



Esta é a pergunta que me fez, várias vezes, o Henrique na nossa visita ao Centre George Pompidou. Ele estava espantado com os vários significados que podia ter a palavra "arte" e chocado com a diferença abissal entre o que vira no Louvre e o que encontrava ali. Talvez por ser criança, uma sequência de 3 quadros brancos (Robert Ryman) lhe parecesse um absurdo, assim como era incapaz de perceber o que faziam, num museu, objectos do quotidiano como sejam candeeiros ou bancos. Ao fim de várias horas de visita à exposição, acabou por gostar de Picasso e de Chagall. É um começo.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Cultura à sexta




"O estilista espanhol Manolo Blahnik é dono de uma das mais proeminentes marcas de sapatos femininos. «Um belo par de Manolos é melhor que sexo», disse Madonna. «Claro, dura muito mais», completou Blahnik.
Sarah Jessica Parker era uma “viciada em Manolo” na série Sex and the City, onde interpreta a protagonista, Carrie Bradshaw. Na vida real, acabou por tornar-se um ícone da marca. Diana Vreeland e Lady Di não viviam sem os seus Manolo; Bianca Jagger e Jerry Hall descobriram que, para além de Mick Jagger, também os Manolo as uniam.
As sandálias e os sapatos mais cobiçados do momento são frisson, fetiche, sonho de consumo e símbolo máximo do mundo fashion. Manolo Blahnik é um artesão com um olhar impecável para os detalhes tratando o pé como um objeto do desejo, que deve ser revelado e valorizado ao mesmo tempo.
Os seus croquis são tão coloridos e esfuziantes quanto os saltos que correm nos pés mais bem vestidos do mundo. Um ícone que tem, literalmente, todas as mulheres aos seus pés. Afinal, Manolo Blahnik não tem apenas uma clientela fiel, tem seguidoras
."




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Sapatos também são cultura. Alguém duvida????

sexta-feira, maio 23, 2008

Cultura à sexta


Villa Savoye, Poissy, França

Foi inaugurada, no passado dia 19 de Maio, no Museu Colecção Berardo, a exposição "Le Corbusier, Arte da Arquitectura", retrospectiva da obra de Charles-Edouard Jeanneret (1887-1965), consagrado com o pseudónimo Le Corbusier.

Le Corbusier, um suiço naturalizado Francês, é considerado, a par com Frank Lloyd Wrigh e Mies van der Rohe, um dos maiores arquitectos do século XX, representante de uma escola modernista de características funcionalistas que influenciou todo o movimento Bauhaus e a arquitectura moderna.

Esta exposição, - criada pelo Vitra Design Museum (Alemanha) em colaboração com o Royal Institute of British Architects (RIBA) e o Netherlands Architecture Institute (Holanda) - é uma retrospectiva da obra de Le Corbusier, e encontra-se dividida em três módulos, "Contextos", "Privacidade e Publicidade" e "Arte Construída". Da exposição fazem parte maquetes, pinturas, esculturas, desenhos e edições originais e tem por objectivo apresentar uma visão contemporânea da obra de Le Corbusier, oferecendo às gerações mais novas a possibilidade de conhecer, de forma simples e acessível, a obra deste grande nome da arquitectura moderna. De entre todos os objectos expostos, destacam-se a pintura mural proveniente do escritório de Le Corbusier, na Rue de Sèvres, em Paris, e uma reprodução de grandes dimensões do Philips Pavilion, obras emblemáticas do trabalho criativo de Le Corbusier.

Esta exposição, do Museu Vitra Design com o apoio da Fundação Le Corbusier, que se encontra no Museu Colecção Berardo até meados de Agosto, partirá, depois, para Liverpool, Capital Europeia da Cultura, encerrando, posteriormente, em Londres.



Exposição Le Corbusier, Arte da Arquitectura
De 19 de Maio a 17 de Agosto de 2008
Horários: todos os dias das 10h00 às 18h30; Sexta-feira das 10h00 às 21h30
Local: Lisboa, Museu Colecção Berardo, Centro Cultural de Belém
Entrada gratuita

sexta-feira, abril 11, 2008

Cultura à sexta



A inauguração da nova galeria do Centro Português de Serigrafia no CCB, a 18 de Abril, é assinalada com uma exposição de Salvador Dalí, 100 Gravuras da Divina Comédia de Dante.

Esta exposição junta dois fabulosos artistas, um pintor surrealista do século XX e um poeta/dramaturgo do Quatrocento Fiorentino, por muitos tido como um dos maiores poetas de sempre e, sem dúvida, il sommo poeta da língua italiana (note-se que a Divina Comédia foi a primeira obra escrita em italiano).

O Inferno, o Purgatório e o Paraíso titulam as gravuras da série de aguarelas que mais não são do que a interpretação que Dali faz da alegoria poética/teológica de Dante Alighieri. As cem aguarelas de Dalí percorrem também a viagem imaginária de Dante, desde os círculos infernais, acompanhado por Virgílio, até ao centro da terra onde encontra Lúcifer, depois regressando à superfície terrestre, sobe a montanha do purgatório, para, guiado pela sua amada Beatriz, ser admitido no paraíso.

Estas aguaralelas de Dalí foram criadas entre 1950 e 1960 por encomenda do Governo italiano, no âmbito das comemorações dos 700 anos do nascimento de Dante.

sexta-feira, março 28, 2008

Cultura à sexta



Clássico dos clássicos, Casablanca, de 1942, junta no ecrã duas grandes estrelas do firmamento cinematográfico da época, o inimitável e talentosíssimo Humphrey Bogart e a beleza vinda do frio que era Ingrid Bergman, numa história de amor e guerra, que ninguém imaginou que se tornasse um dos mais marcantes filmes da história do cinema e, recorrentemente, presente nas listas dos melhores de sempre.

Curiosamente, e ao contrário de outros filmes clássicos, Casablanca não foi pensado como uma grande produção nem estava vocacionado para conquistar gerações e vencer o desafio do tempo! Filmado como outra qualquer produção de Hollywood, Casablanca não pretendia ser mais do que um dos filmes do ano de 1942, sobre a guerra e os seus efeitos na vida de pessoas comuns. Porém, logo na estreia, arrecadou o Oscar de Melhor Filme e, as time went by, tornou-se um mito do cinema e as suas personagens, música e até falas ícones de uma época dourada do Hollywood Quem não conhece «As time goes by»? Quantos visitantes de Casablanca não terão procurado, sem sucesso, o mítico Rick's Café (que nunca existiu)? Quem nunca ouviu a frase «We will always have Paris» ou quem não repetiu a deixa tão caraterística de Rick «Here's looking at you kid!». Enfim, quem não pensa, de imediato, no Captain Renault quando imagina o regime de Vichy e o associa à frase «I think this is the beginning of a beautiful friendship».

Por algum motivo, que não sabemos determinar ao certo, mas que passa necessariamente pela sua qualidade enquanto filme e pela grandeza das personagens, Casablanca é um mito do cinema e considerado como o mais romântico filme de sempre, imitado não poucas vezes, mas dificilmente suplantado. Casablanca sobreviveu à guerra, ao tempo e até à "criminosa" tentativa de lhe dar cor! Resistiu e resiste, conquistando gerações de admiradores que, sistematicamente, lhe rendem homenagem, como fez, recentemente, Steven Soderbergh com o seu «The Good German», um filme que é todo ele a evocação de Casablanca e o elogio das técnicas usadas ao filmá-lo.

sexta-feira, março 21, 2008

Cultura à sexta

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca, um dos maiores nomes femininos da poesia portuguesa nasceu, bastarda, a 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa e morreu, 36 anos mais tarde, nesse mesmo dia, em Matosinhos, num suicídio oportunamente convertido em "edema pulmonar" pela família que queria evitar o escândalo e a desonra desse acto considerado infame.

Durante toda a sua vida, tanto com a sua obra como com o seu exemplo, Florbela Espanca testou os limite da moralidade e provocou a sociedade com os seus comportamentos, considerados por uns como levianos, e por outros apenas como intensos e apaixonados. Infeliz nos seus três casamentos, nunca se cansou, porém, de cantar o amor e a paixão que tanto ansiava e desejava. Os seus poemas, aliás, têm como temática quase exclusiva o amor, a paixão, a saudade, a solidão, o sofrimento e a análise exaustiva e quase obsessiva do seu «eu». A sua obra embora riquíssima e de uma beleza formal irrepreensível, marcadamente influenciada por Antero de Quental no uso do soneto, não teve grande aceitação no seu tempo de vida, por um lado por se considerar que era demasiado intensa e sensual, quase erótica, e por outro por se afastar das correntes que então se desenvolviam, nomeadamente o modernismo e o futurismo, sendo que Florbela era marcadamente uma "neo-romântica".

Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão e não se lhe conhece qualquer opinião sobre o mundo, a sociedade ou a política (embora o Estado Novo a tenha considerado como uma escritora non grata pela temática pouco ortodoxa da sua obra). Centrou a sua obra nos sentimentos e em torná-los palavras com sentido e assim criou alguns dos mais belos poemas portugueses.

Profundamente melancólica e depressiva, vítima dos seus excessos e de uma vida que nem sempre lhe foi fácil (passou por dois divórcios, sofreu dois abortos e perdeu o irmão que adorava num acidente de avião) acabou por ceder à depressão e à doença mental (hoje pensa-se que Florbela sofreria de doença bipolar) e suicidou-se no dia em que fazia 36 anos, com uma dose fatal de barbitúricos.

Em vida apenas publicou duas obras - o Livro de Mágoas (1919) e o Livro de Sóror Saudade (1923) sendo que a sua obra prima, Charneca em Flor, seria publicada em Janeiro de 1931, já postumamente. Florbela, à semelhança de outros escritores e artistas, não teve em vida o reconhecimento da sua obra...

sexta-feira, março 14, 2008

Cultura à sexta*



A arte cinética, vulgarmente chamada Op Art, está no Museu do Chiado com uma exposição extensa de autores nacionais e internacionais, representantes desta corrente artística do século XX.

A chamada "Op Art" (optical art) é um movimento artístico vanguardista que parte de construções abstractas fortemente centradas na ilusão de óptica, sendo que muitas das peças mais conhecidas usam apenas o preto e o branco e, embora estáticas, criam a impressão de movimento, clarões ou vibração, e por vezes parecem inchar ou deformar-se.

Os trabalhos cinéticos centram-se na representação do movimento e vivem da interacção com o público, que se pode misturar, experienciar e, no fundo, dar sentido a essas obras. Esta corrente artística teve enorme influência na sociedade e nas artes da decada de 60, como a moda, a arquitectura, os media e sobretudo no design gráfico.

É esta forma de arte algo diferente que podemos experimentar no Museu do Chiado. Ao todo são 60 obras em exposição de cerca de 30 artistas, entre os quais os portugueses René Bertholo, Eduardo Nery, António Pedro, Nadir Afonso e Artur Rosa que estarão em exposição até 16 de Junho, justificando, plenamente, uma visita!



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* Depois de um interregno imenso, a Cultura à sexta está de volta ao SLIH, porque este também é um espaço que se interessa pela cultura, pelas artes, pela música e pelo cinema!

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Cultura à sexta


Café Terrace on the Place du Forum, Arles, at Night

Vincent Van Gogh é, muito provavelmente, o meu pintor preferido e o seu Starry Night um dos quadros que mais me impressionou (no bom sentido, obviamente) e que não me importaria de ter nas paredes da Villa Beatrice (por enquanto ainda nuas).

Porém a obra de Van Gogh é toda ela extraordinária e não é sequer necessário recorrer aos famosíssimos Girassóis (provavelmente a única obra deste pintor de que eu não gosto) uma vez que há inúmeros quadros de Van Gogh que se tornaram ícones da pintura e abriram caminho a vários movimentos do modernismo.

Van Gogh tem uma obra ecléctica, embora muitas vezes considerada (post)-impressionista (pelo uso que fazia das cores e pela forma de pintar, através de pequenas pinceladas que formavam figuras de contornos pouco nítidos), que lançou as bases do desenvolvimento do expressionismo (recriação da realidade através da percepção sensorial do artista), do fauvismo e do abstraccionismo.

"Formado" nas escolas de Bruxelas e Antuérpia, foi porém em França que Van Gogh viria a ter contacto com vários artistas como Émile Benard, Toulouse-Lautrec e Paul Gauguin, que não apenas o influenciaram no seu estilo como se tornaram seus companheiro de vida e de boémia. É durante os anos em França (sobretudo em Arles) que Van Gogh cria a suas obras mais emblemáticas, sendo também neste período que o seu estado mental começa a degradar-se de forma assentuada, tornando evidente a depressão que acabaria por o conduzir ao suicídio.

Figura incontornával na história da arte, Van Gogh não deixa, ao mesmo tempo, de ser uma personagem sombria e depressiva, embora ao mesmo tempo fascinante pelo génio criativo que possuía e que se demonstrava, com força plena, nas suas obras. Em vida vendeu apenas um quadro - "A vinha encarnada" - mas teve a lucidez de profetizar «não posso evitar o facto dos meus quadros não serem vendáveis. Mas virá o tempo em que as pessoas verão que eles valem para lá do preço da tinta.» A verdade é que foi um quadro seu - "Retrato de Doutor Gachet" - que se tornou o mais caro do mundo quando, em 1990, um milionário japonês o comprou por 82,5 milhões de dólares.

Van Gogh suicidou-se com apenas 37 anos, em Auvers-sur-Oise, com um tiro no peito. Embora este fosse um ferimento mortal, Vincent morreu apenas 2 dias depois sendo-lhe atribuída uma última frase que traduz exactamente o sentimento da sua alma «la tristesse durerá toujours».

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Cultura à sexta



Cleopatra, de 1963, foi o filme que juntou, no ecrã como na vida, Elizabeth Taylor e Richard Burton, à época do filme ambos casados e ambos duas estrelas absolutas em Hollywood, ela a diva mediática, tão famosa pela sua carreira como pelos seus casamentos, e ele o actor inglês, Shakespeariano, ao qual não havia mulher que não se rendesse.

Inspirado na peça Anthony and Cleopatra, o filme pretendia ser um grande épico e contar a história da mais famosa das Rainhas do Egipto, Cleopatra VII, que se envolveu com dois dos maiores políticos romanos da época, Julius Caesar e Marcus Antonius, sendo forçada ao suicídio depois da vitória de Octavianus na Batalha de Actium.

Porém, o filme ficou mais famoso pelas suas histórias de bastidores do que pelas suas qualidades cinematográficas. Uma das maiores produções de sempre de Hollywood, que quase levou à falência o estúdio, 20th Century Fox, tornou-se o mais caro filme de sempre produzido nos Estados Unidos. A deslocalização da produção, por 2 vezes, (as filmagens começaram em Londres e acabaram em Roma), as várias interrupções devido a inúmeros incidentes com o elenco e com os cenários e os contratos milionários com os protagonistas (foi por Cleopatra que Elizabeth Taylor se tornou o primeiro actor a receber 1 milhão de dólares) fizeram com que o filme inicialmente orçamentado para 2 milhões de dólares custasse 44 milhões (!).

A tudo somou-se a publicidade negativa dada ao filme pelo romance que surgiu entre os dois protagonistas, Taylor e Burton, considerado chocante à época, por ambas as estrelas serem casadas! No entanto, e mesmo tempo sido um total fracasso, 40 anos depois Cleopatra é um clássico do cinema... e é, exactamente, o mítico romance de Elizabeth Taylor e Richard Burton que preenchem o nosso imaginário e nos fazem ver Cleopatra como o filme que juntou um dos mais mediáticos casais de sempre, numa história de amor, jóias e traição que se converteu em casamento (por duas vezes) e mais tarde em divórcio (também duas vezes) mas que ainda hoje encanta os cinéfilos!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Cultura à sexta


Palácio do Congresso, Brasília

Amanhã, dia 15 de Dezembro, o arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer completará 100 anos. Por si só este não será um facto extraordinário, mas se conjugarmos a sua longevidade artística, ao longo dos últimos 60 anos, à influência de Niemeyer na história da arquitectura, temos que admitir que estamos perante um caso raro de sucesso.

Mais conhecido pela construção da capital Brasília, "encomenda" de Jucelino Kubitschek que deu a Niemeyer o seu maior projecto político: a construção de uma nova capital para o Brasil, inteiramente projectada para esse efeito. Deste modo, Niemeyer, ao contrário de tantos outros arquitectos, teve a oportunidade de projectar e criar, de início e com inteira liberdade, uma nova capital nacional, numa região até então despovoada no centro do país, dando forma à sua visão do urbanismo e ao seu conceito de cidade.

Anteriormente Niemeyer já tinha trabalhado com Kubitchek (enquanto Prefeito de Minas Gerais) no conjunto da Pampulha onde Niemeyer utilizou um estilo que iria marcar o seu trabalho: formas sinuosas; linhas curvas; ligação permanente entre a construção e a natureza. Niemeyer diria um dia a propósito da sua preferência pelas linhas curvas, tão características das suas construções: «Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein

Na construção de Brasília, Niemeyer e Lúcio Costa (o urbanista que a projectou) aproveitaram para pôr em prática os conceitos modernistas para uma cidade que queriam, ao mesmo tempo, bela, harmoniosa e funcional: ruas sem trânsito, prédios erguidos sobre colunas, o que permitia ganhar espaço livre no piso térreo e integração com a natureza. Também constava do projecto inicial que Brasília deveria ser uma cidade contida em si, sem hipótese de se expandir para além do projecto original. Durante 4 anos Niemeyer dedicou-se totalmente a este projecto de uma vida e a nova capital foi inaugurada ainda durante o mandato do Presidente Kubitchek, em 1960. Após conclusão da nova capital, Niemeyer é nomeado coordenador da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Brasília. Já nesta altura Niemeyer é considerado o maior arquitecto brasileiro e um dos grande nomes da arquitectura mundial.

Ao longo da sua carreira Niemeyer criou projectos em diversos locais, incluindo o edifício sede das Nações Unidas, em NYC, a sede do Partido Comunista Francês, em Paris e o Pestana Casino Park, o único complexo de autoria do brasileiro em Portugal. Nimeyer mantém-no no activo até hoje, tendo inaugurado, em 2002, o complexo que abriga o Museu Oscar Niemeyer, na cidade de Curitiba, em 2006, na data do seu 99.º aniversário, inaugurou o Complexo Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios em Brasília e já este ano, no âmbito das comemorações dos seus 100 anos, o Teatro Municipal de Niterói. Ainda lúcido e com muitas vontade de continuar a desenhar, Niemeyer já se manifestou interessado em projectar um dos estádios para o Mundial de Futebol de 2014, no Brasil!

sexta-feira, novembro 30, 2007

Cultura à sexta



To Catch a Thief, filme de 1955, é uma das obras primas de Alfred Hitchcock, e considerado um dos seus filmes mais românticos. Foi rodado na Riviera Francesa, tendo como protagonistas aquela que se viria a tornar, dois anos mais tarde, Sua Alteza Sereníssima a Princesa do Mónaco, Grace Kelly, e o galã da época, Cary Grant.

A narrativa do filme é muito simples e baseia-se na história de John Robbie, um famosíssimo ladrão de jóias na reforma (Grant), conhecido como The Cat, que é considerado pela polícia o suspeito número 1 de uma série de roubos em hotéis da Riviera. Como em qualquer boa história de mistério e de suspense, Robbie, decidido a provar a sua inocência e a apanhar o ladrão, cria uma armadilha contando, para tal, com a ajuda de Frances, uma rica e bonita herdeira (Grace Kelly), no seu elaborado plano: usar as jóias da mãe dela (a mais fabulosa colecção na Riviera) como isco ao bandido. O plano, porém, corre mal e Robbie ve-se forçado a fugir à polícia francesa mas não desiste de encontrar o ladrão. Ao mesmo tempo, Frances, embora convencida de que Robbie é culpado, apaixona-se por ele ajuda-o a fugir, fascinada com a sua história. Depois de várias peripécias e enganos, finalmente, durante um baile de máscaras, e com a ajuda de Frances, Robbie consegue apanhar o novo 'cat' provando que estava verdadeiramente inocente. O casal, intui-se, ficaria junto e feliz, happily ever after, bem ao estilo dos contos de fadas!

Esta história, um êxito na época, tem sido repetida vezes sem conta e ficará para sempre na história do cinema como o filme que fez com que Grace conhecesse Rainier do Mónaco, com quem viria a casar, fazendo hollywood perder uma estrela e o Mónaco ganhar uma Princesa!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Cultura à Sexta

«Este inferno de amar - como eu amo! –
Quem mo pôs aqui n’alma ... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar
?

(...)»

Almeida Garrett, Folhas Caídas, 1853


Almeida Garrett, dramaturgo e poeta do século XIX, é um dos primeiros e mais importantes representantes do Romantismo em Portugal. O Romantismo foi um movimento literário que se caracterizou pela exaltação dos sentidos, da fragilidade da vida, das emoções e do o drama humano (muitas vezes associado aos amores trágicos), por oposição ao racionalismo do século XVIII. Os autores do Romantismo, dos quais se destacam Lord Byron e Walter Scott, em Inglaterra, Goethe e Schiller, na Alemanha, e Victor Hugo, em França, são profundamente individualistas, exaltando os sentimentos e as emoções, e também genuinamente nacionalistas (embora encarem o nacionalismo com um certo lirismo).

Almeida Garrett nasceu no Porto, no final do século XVIII, e com as invasões francesas a família mudou-se para a Terceira onde o jovem João Baptista recebeu uma educação clássica ministrada pelo seu tio, o Bispo de Angra. Chegada, porém, a altura de prosseguir estudos, Almeida Garrett segue para Coimbra onde se irá dedicar ao estudo das leis. É aí que começa a sua vida de boémio (ganhando a fama de dandy que nunca mais o deixou até ao final da vida) e publicando a sua primeira obra, Retrado de Vénus, que escandilizou a sociedade portuguesa por ser considerado materialista, ateu e imoral.

Inspirado pelo ideal Liberal, tomou parte na Revolução de 1820, razão pela qual procurou refúgio em Inglaterra após a Vilafrancada. Foi aí que tomou contacto com o movimento Romântico e que produziu as suas primeiras obras que se inserem neste movimento: Dona Branca e Camões. De volta a Portugal, depois de ter exercido funções de cônsul geral em Bruxelas, ocupou vários cargos políticos (tendo sido considerado o melhor orador da sua época) e deve-se à sua actuação a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Nacional, em Lisboa.

Paralelamente, Almeida Garrett manteve sempre a sua obra poética e dramática, tendo publicado algumas das peças de teatro e poemas mais belos da língua portuguesa, dos quais são exemplo a peça Frei Luís de Sousa e os poemas do livro Folhas Caídas. Ao mesmo tempo, também a sua vida privada era preenchida com inúmeros amores (oficiais ou adúlteros) que granjearam a Almeida Garrett uma fama de D. Juan, sedutor irresístível e príncipe dos salões!

Morreu com apenas 55 anos, em 1854, em Lisboa, deixando de legado à sua amada pátria uma vasta e riquíssima obra, que inclui peças de teatro, poesia e romances, que se destacam pela alma que ele punha em todas as suas criações, mas também pela originalidade, na forma e no estilo, que Garrett introduziu na literatura portuguesa. Sem dúvida um marco incontornável e um autor que não deverá ser esquecido!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Cultura à sexta



A Maison Dior, fundada por Christian Dior, nascido no principio do século XX, em França, tornou-se um dos maiores ícones da moda, de sempre, sendo o seu nome associado, até hoje, ao máximo luxo, ao glamour das estrelas de Hollywood, à elegância suprema e à extravagância da criação artística.

Estudante de Relações Internacionais e aspirante a diplomata, por imposição familiar, Christian Dior não escondia, porém, o seu gosto pelas artes plásticas e, totalmente inadaptado à vida diplomática, começou a frequentar ateliers de pintura e de desenho, chegando mesmo a pintar alguns quadros. Nesta época Christian Dior foi profundamente influenciado por artistas como Picasso, Matisse e Dali. No entanto, o seu talento para o desenho não se exprimia da melhor forma na tela mas sim em desenhos de roupas, e ainda antes do início da II Guerra Mundial já Dior desenhava as suas primeiras peças.

Posteriormente, já consciente do seu imenso talento como desenhador de roupa, Christian Dior conseguiu assegurar que Marcel Boussac, "rei do algodão e príncipe dos tecidos" seria seu patrono e financiaria a abertura da Maison Dior, em Paris, no número 30 da exclusiva Avenue Montagne. O resultado não poderia ter sido melhor: os seus traços e a visão que tinha do corpo feminino «ombros doces, bustos suaves, cinturas marcadas e saias que explodem em volumes e camadas» revolucionaram a moda impondo o New Look (nome dado à primeira colecção da Maison Dior).

Era o retorno da elegância, da abundância e do luxo após a guerra e o New Look representava o auge da feminilidade e da grandiosidade, através da extravagância e até do exagero dos looks criados por Dior. Marcel Boussac não poderia estar mais radiante com a parceria: vestidos tradicionalmente feitos com 5 metros de tecido, agora usavam até 40 metros, e ele era o fornecedor!

Ao longo de sua carreira Dior criou, sob a forma vestidos, sonhos, fantasias e ousadias do génio humano, alterando, para sempre, o conceito de Moda. Depois da sua morte, em 1957, Yves Saint Laurent, Marc Bohan e Gianfranco Ferré asseguraram a continuidade da marca e actualmente, com John Galliano ao comando, a Dior renasceu e relançou-se, assumindo os princípios fundadores: liberdade artística, luxo, elegância e extravagância, ao serviço da mulher.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Cultura à sexta


The Golden Eagle, Transiberiano

O Transiberiano (a par de outras carreiras de sonho, como o Expresso do Oriente) é um mito da ferrovia assim como o Concorde era o mito da aviação. Este comboio luxuosíssimo, que lembra histórias de príncipes e princesas, atravessava a Rússia de São Petersburg a Vladivostok (no extremo oriental-sul da Rússia, na fronteira com a China) e foi inaugurado, na sua plena extensão, em 1916 pelo Czar Nicolau II.

Os planos iniciais para a construção de uma linha ferroviária que ligasse a capital do Império (São Petersburgo) ao extremo oriental são da autoria do Czar Alexandre II, consciente da importância de ter um serviço ferroviário que unisse as várias cidades do seu vasto império que se estendia por dois continentes. Foi, porém, no reinado do seu filho, Czar Alexandre III, que a construção se iniciou, tendo sido nesta altura nomeado Sergei Witte como Director dos Assuntos dos Caminhos-de-Ferro, em 1889. Em 1891 o Czar Alexandre III abençoou oficialmente a construção do segmento do Extremo-Oriente da linha, em Vladivostok, e o primeiro segmento entre Chelyabinsk to Omsk.

A linha transiberiana percorre 9.288 km, abrangendo 8 fusos horários e leva vários dias a completar a travessia da Rússia, sendo o terceiro mais longo serviço ferroviário contínuo do mundo.

Actualmente, para além de ainda servir os seus propósitos iniciais de ligação do vastíssimo território Russo, o Transiberiano é uma viagem de sonho que une dois continentes e que, ao longo de 15 dias, atravessa os Urais e a Sibéria, ligando a actual capital (Moscovo) à cidade de Vladivostok. Com um serviço de luxo, é a viagem de sonho para todos aqueles que queiram atravessar a Rússia nesta viagem não apenas turística mas também profundamente histórica e cultural!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Cultura à sexta


Foi ontem inaugurada, pelo Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, a exposição "Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage - de Pedro, o Grande, a Nicolau II", no Palácio Nacional da Ajuda. Esta exposição, de várias obras do Museu Hermitage de S. Petersburgo, estará em exibição em Lisboa até Fevereiro e é a concretização de uma parceria cultural entre Portugal e a Rússia que se pretende que culmine na criação, em Lisboa, de um "pólo" do Museu Hermitage, em 2010, à semelhança do que já acontece em Londres, Amsterdão e Las Vegas.

O Hermitage de S. Petersburgo, foi fundado em 1764 quando a Czarina Catarina, a Grande, adquiriu uma vasta colecção de obras de pintores flamengos tendo-a instalado no Palácio de Inverno, residência oficial dos Czares.

Tendo sofrido constantes renovações e novas aquisições, o Museu Hermitage de S. Petersburg ocupa hoje 6 edifícios contiguos, nas margens do Rio Neva, sendo o maior Museu do mundo, tendo no seu acervo mais de 3 milhões de obras de arte, entre pintura (onde pontuam obras de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rubens, van Dyck, Rembrandt, Poussin, Claude Lorrain, Canaletto, Canova, Rodin, Monet, Renoir, Cézanne, van Gogh, Gauguin, Picasso e Matisse), escultura, joalharia, vestuário, porcelanas Lomonosov e uma fabulosa colecção de joalharia Fabergé. Acresce uma vastíssima colecção de 'regalia' Imperial onde encontramos algumas jóias da corte Imperial Russa.

A título de curiosidade, alguém que quisesse visitar as 1057 salas que compõem o museu, perdendo apenas 1 minuto em cada obra, levaria 11 anos para visitar todo o Hermitage. De igual modo, as salas dedicadas aos pintores do Renascimento Flamengo (nomeadamente Rembrant, van Dyck e Rubens) possuem mais obras expostas que o Rijksmuseum, de Amsterdão. Estas curiosidades dizem, de facto, alguma coisa sobre o acervo do Hermitage e sobre a sua importância no panorama cultural europeu!

Garanto, tendo já visitado, que a exposição desde ontem patente na Galeria D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, merece, sem duvida, uma visita e fica o desafio, durante a noite de hoje, das 21 às 24 horas, a entrada será gratuita!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Cultura à sexta



Começa hoje a 21.ª Edição do Portugal Fashion, a par com a ModaLisboa o maior evento de moda em Portugal. Este ano o Portugal Fashion abandonou a cidade do Porto e instalou-se, de armas e bagagens, em Gaia, numa tenda de 1200 m2, com capacidade para 1000 pessoas (lugares sentados), exactamente a mesma estrutura que foi usada na última edição da Passarella Cibelles, em Madrid. Esta parceria com a Câmara Municipal de Gaia irá manter-se, pelo menos, até 2010, naquela que segundo os organizadores representa uma parceria muito positiva com um forte parceiro institucional.

Ao longo dos 3 dias do Portugal Fashion serão apresentadas 34 colecções Primavera/Verão, desenhadas por 12 criadores consagrados, cinco novos designers e 16 marcas. Um evento a não perder!


PROGRAMA

SEXTA, 19 DE OUTUBRO
21h30 - Felipe Oliveira Baptista
22h30 - Tenente Jeans
23h30 - Miguel Vieira

SÁBADO, 20 DE OUTUBRO
16h30 - Jovens Criadores (Andreia Lobato, Celsus, Diogo Miranda, Odete Barreiro by Celtic, Tany Calapez)
18h00 - Anabela Baldaque
19h00 - Luís Onofre
20h00 - XIK - Katty Xiomara Íntimo
22h00 - Indústria (Acetato by Filomena Machado e Carlos Paulino; Concreto by Helder Baptista; Celtic Jeans; Hermar by Sofia de Almeida; Id Values; Paula Borges by Lúcia Borges; Gangsters by Eduardo Cabral; X & Y Couture by Luís T)
23h00 - Fátima Lopes - Mulher

DOMINGO, 21 DE OUTUBRO
15h30 - Rita Bonaparte
16h30 - Marco Mesquita
17h30 - Fátima Lopes - Homem
18h30 - Pedro Pedro
19h30 - Colectivo de Calçado (Aerosoles, Cohibas, Coxx, Dkode, Eject, Fly London, José Reis Design, Sílvia Rebatto)
21h30 - Storytailors Narke
22h30 - Jotex by Luís Buchinho

sexta-feira, outubro 12, 2007

Cultura à sexta



Começou ontem mais uma edição da ModaLisboa (que adopta este ano a designação ModaLisboaEstoril), em Cascais, mais uma vez com o programa recheado de boas surpresas vindas dos designers Portugueses!

O tema escolhido para esta 29.ª edição, Move, é «símbolo de movimento e da mudança da iniciativa de Lisboa para Cascais», e parte de uma parceria entre a Associação ModaLisboa, a Câmara Municipal de Cascais e a Junta de Turismo da Costa do Estoril, que fará com que, durante as próximas 5 Edições, a ModaLisboa se mude para Cascais.

Mas a ModaLisboaEstoril não é só feita de desfiles, sendo retomado nesta edição o showroom «Fashion and Must- Haves» - «moda e objectos que permitem uma venda integrada e transversal» -, um espaço comercial dedicado a profissionais do sector, e realizam-se pela primeira vez os off-rooms.

PROGRAMA

QUINTA, 11 DE OUTUBRO
19h00 - Luís Buchinho
20h00 - aforest-design
21h00 - Katty Xiomara
22h00 - Filipe Faísca

SEXTA, 12 DE OUTUBRO
18h30 - L’Oréal Professionnel by Lúcia Piloto
19h30 - Dino Alves
20h30 - Isabela Capeto
21h30 - Alexandra Moura
22h30 - Miguel Vieira

SÁBADO, 13 DE OUTUBRO
12h00 - José António Tenente
15h30 - Ana Salazar
16h30 - Pedro Mourão
17h30 - White Tent (Ei Ei Kyaw, Evu Tabakova e Pedro Noronha-Feio)
18h30 - Aleksandar Protich
19h30 - Lidija Kolovrat
21h00 - Lion of Porches
22h00 - Maria Gambina

DOMINGO, 14 DE OUTUBRO
15h00 - Lara Torres
16h00 - Ricardo Dourado
17h00 - Nuno Gama
18h00 - Anabela Baldaque
19h00 - Ricardo Preto
20h00 - ADD.UP - Osvaldo Martins
21h00 - Nuno Baltazar

sexta-feira, outubro 05, 2007

Cultura à sexta



«A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete

Assim começa a obra, «Os Maias - episódios da vida romântica», de Eça de Queiroz, abrindo o apetite para as mais de 600 páginas de narrativa densa, na qual a história da personagem principal, Carlos Eduardo da Maia, se entrelaça com os episódios da vida romântica, onde o autor se permite a crítica social ao ambiente e aos costumes da época, algo que Eça fazia como nenhum outro autor do realismo!

«Os Maias» mais do que uma história sobre o amor impossível e trágico de Carlos e Maria Eduarda é um retrato fabuloso de um certo Portugal elitista e balofo, ao mesmo tempo que profundamente provinciano e tacanho, que Eça, com a sua exemplar escrita, não poderia deixar de expor, com todos os seus vícios e falhas, como faz magistralmente nos episódios, por exemplo, do Sarau no Teatro da Trindade, das Corridas de Cavalos no Hipódromo de Belém ou do Jantar no Hotel Central, todos eles momentos em que as personagens centrais se cruzam com 'figurantes' que representam a suposta elite cultural, social e política do Portugal da Regeneração.

Acresce que, para além da crítica social e da intriga principal, «Os Maias» atravessam 67 anos da história de Portugal, começando nos tempos do absolutismo em que Caetano da Maia (bisavô) vivia e acabando em 1887, em época de pré Bancarrota e Ultimatum, quando Carlos e João da Ega, já apresentados como dois "vencidos da vida" percorrem o Chiado e os Restauradores e percebem que Portugal estava velho e decrépito, envolto em brumas. É um Portugal que, na óptica de João da Ega, a voz crítica dentro da obra, vive da aparência e da imitação do estrangeiro, mas que não conhece a modernidade nem anseia por ela. Desta forma Eça de Queiroz acompanha praticamente todo o século XIX Português, fazendo d' «Os Maias» um verdadeiro documento histórico e testemunho de uma época.

«Os Maias» foram pela primeira vez publicados em Junho de 1888, em dois volumes, permanecendo até hoje como um dos grandes títulos da narrativa portuguesa, e hoje em dia podem ser facilmente descarregados da Internet, provando que as grandes obras não apenas resistem ao tempo e às tecnologias como as acompanham!