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sexta-feira, setembro 21, 2007

Cultura à sexta




Andy Warhol é, e será sempre, um ícone controverso e polémico, símbolo máximo de um movimento cultural que se associa à utilização massificada de objectos quotidianos como forma de arte. A Pop Art, surgida em finais dos anos 50, como reacção a uma cultura marcadamente elitista, vai utilizar o banal, o vulgar, o quotidiano e o kitsch como símbolo da sua revolução cultural. Uma lata de sopa Campbell é tanto um objecto de arte como um quadro de Rembrant! Assim, e através de Warhol, rapidamente a garrafa de Coca-Cola se tornou um objecto de arte e figuras emblemáticas do cinema e da sociedade de massas se tornaram símbolos de uma nova cultura.

Warhol era um artista completo que manifestava o seu génio tanto na pintura, como na escultura e fotografia ou ainda no cinema, sendo autor de inúmeros filmes experimentais, realizados no seu estúdio pessoal, The Factory, onde se encontravam artistas, boémios, músicos e figuras excêntricas da high society nova-iorquina.

Artista incontornável para descrever uma época e um estilo, Warhol não deixa de ser, também, uma figura enigmática sendo conhecido pelos escândalos que envolveram o The Factory e várias das pessoas que faziam parte da sua entourage.

Nos cinemas está um filme, polémico, sobre Warhol e a sua relação com uma das suas superstars, The Factory Girl, aconselhável a todos aqueles que querem saber mais de uma época excepcional a todos os títulos, por tudo aquilo que representou de conquista de novas formas artisticas, mas também por tudo aquilo que representou de negativo, como a degradação dos costumes e a falência do ideal humano.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Cultura à sexta



Richard Wagner, nascido em 1813, em Leipzig, foi um dos mais influentes compositores alemães, considerado um dos expoentes do romantismo e do nacionalismo germânico, grande amigo do Rei Ludwig II da Baviera, que foi o seu patrono.

Como compositor de óperas, criou um novo estilo, grandioso, cuja influência se mantém até hoje. Para além disso, Wagner escrevia, ele próprio, o libreto de todas as suas óperas, inclusive a tetralogia O Anel do Nibelungo, que demorou 26 anos a ser composta, obra na qual a mitologia germânica recebe uma empolgante expressão dramático-musical.

A obra wagneriana, fortemente centrada em figuras masculinas heróicas e quase 'super homens', no sentido Nietzscheziano do termo, suscitou o aparecimento de um novo tipo de cantor: um heldentenor (literalmente: "tenor heróico"), um tenor de resistência física extraordinária e grande potência vocal, capaz de enfrentar papéis como Siegfried, Tristão e Tannhäuser.

Wagner é até hoje um ícone cultural que traduz, na perfeição, a identidade nacional germânica na sua música. Muitas vezes, também, considerado anti-semita, em virtude de alguns dos seus escritos onde elogiava as qualidades do povo germânico e denunciava aquela que considerava ser a influência perniciosa dos judeus na cultura alemã, Wagner tornou-se, durante os anos do III Reicht o compositor oficial do regime e a personificação das qualidades do bom alemão e do génio germânico aos olhos do Nacional Socialismo.

Polémicas à parte, Wagner é sem duvida um dos maiores compositores de todos os tempos e as suas obras, sejam Parsifal, o Anel do Nibelungo, Tristão e Isolda ou o Idilio de Siegfried, fazem parte do património cultural da humanidade, enriquecendo-nos a todos!

sexta-feira, setembro 07, 2007

Cultura à sexta


Hundertwasser Haus, Vienna, Áustria

A Hundertwasser Haus, em Viena, é um dos mais visitados edifícios da cidade, atraindo turistas das mais variadas proveniencias e fazendo já parte do património cultural da cidade.

Desenhada pelo pintor, escultor e arquitecto austríaco Friedensreich Hundertwasser, o edifício foi construído entre 1983 e 1986 e caracteriza-se pelo chão ondulante, a fachada multi-colorida e os famosos jardins nos telhados. O edifício tem 52 apartamentos, 4 escritórios, 16 terraços privados e 3 terraços comuns, tendo um total de 250 árvores e arbustos.

Hundertwasser, sempre controverso, caracteriza-se por um estilo pós-surrealista, com influência declarada de Gustav Klint e Egon Schiele, desenhando indiferenciadamente cartazes, selos, roupa ou edifícios, aliando sempre os elementos do surrealismo e do desconstrutivismo à sua natural irreverência e forma particular de entender a arte: forma de intervenção social, no seu caso concreto, através da criação de espaços amigos do ambiente.

O seu estilo inconfundível de cor e movimento permanece em algumas das suas criações não apenas em Viena mas também em Darmstadt, Magdeburg e Essen.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Cultura à sexta



Desde dia 1 de Agosto, no Palácio do Freixo, no Porto, está aberta ao público uma exposição com 285 peças de Salvador Dali, entre desenhos, esculturas e quadros originais.

Salvador Dali, pintor catalão, é, porventura, o maior ícone do movimento surrealista, sendo conhecido não apenas pela sua personalidade excêntrica e provocadora, mas sobretudo pelas suas obras de inegável qualidade plástica mas de difícil percepção para uma visão realista. Dali não apenas cria arte como recria e reinventa conceitos banais e prosaicos, fazendo uma flor voar ou um rosto decompor-se. E mesmo quando evoca elementos bizarros ou, até mesmo, tétricos, fá-lo com tal mestria que o resultado final é belo.

Dali teve o seu treino, como pintor e escultor, na Academia de San Fernando, tendo sido arrebatado pelas tendências modernistas, tal como o Simbolismo, Cubismo e o Dadaísmo, e pelos mestres Picasso e Juan Miró, que influenciaram profundamente as suas obras e o seu estilo. Salvador Dali, com o seu génio artístico, conseguiu conciliar todos os estilos de arte desde o classicismo mais académico à vanguarda mais avançada, fazendo-o por vezes numa mesma obra.

As suas obras são, de igual modo, marcadamente influenciadas pelas teorias Freudianas da psicanálise, sendo os seus quadros muitas vezes imagens de sonhos, confusas e desconexas, que só podem ser 'lidas' pelo subconsciente, uma vez que o surrealismo, tal como Dali o descrevia, é a tentativa de transformar em imagem a irracionalidade.

A exposição de Dali permanecerá no Freixo até dia 4 de Novembro, todos os dias das 10:00 às 22:00, e merece certamente uma visita.


sexta-feira, agosto 17, 2007

Cultura à sexta



Pyotr Ilyich Tchaikovsky, compositor russo nascido em 1840 em São Petersburgo, é um dos mais aclamados compositores do final do século XIX, sendo que a sua obra se tornou conhecida e admirada pelas melodias distintamente russas que criava. Tchaikovsky é um dos poucos compositores que se sentia igualmente confortável escrevendo óperas, sinfonias, concertos e obras para piano, tendo-nos deixado uma vastíssima obra.

Com formação na área da ciências jurídicas, Tchaikosvky cedo, porém, manifestou o seu génio musical, quando aos 8 anos já lia partituras difíceis com a mesma facilidade que a sua professora de piano. Particularmente sensível ao trabalho de Rossini, Bellini, Verdi e Mozart, Tchaikosvky cresceu com o gosto da música e quando a sua mãe morreu, em 1854, Tchaikovsky compôs uma valsa em sua memória. Impressionado com esta reacção, o pai contratou um dos maiores professores de piano da época, Rudolph Kündinger, que terá dito que não encontrava em Tchaikovsky as qualidades necessárias para um compositor, nem tão pouco, para um 'performer'.

Estava, porém, o mestre errado e Tchaikovsky, apesar de acabar os seus estudos de Leis, e conseguir uma colocação no Ministério da Justiça, decidiu estudar música no Conservatório de São Petersburgo onde acabou por se tornar um dos mais afamados professores, tendo uma relação até hoje pouco clara, com o 'Grupo dos Cinco', um grupo nacionalista e progressista de músicos liderado por Mily Balakirev que ligava Tchaikovky à oposição conservadora e o criticava pela natureza mais 'internacionalista' da sua música. De todo o modo, uma colaboração entre Tchaikosvsky e Balakirev produziu a sinfonia Romeo e Julieta.

Na parte final da sua carreia Tchaikovsky tornou-se maestro em Moscovo e foi condecorado pelo Czar Alexandre III, em 1885 com a Ordem de São Vladimir. Morreu em 1893, estando a sua morte até hoje envolta em mistério.

De entre as suas obras mais conhecidas e aclamadas, estão os seus Ballets como «O Lago dos Cines» e «O Quebra-Nozes», as Óperas «Dama de Orleans» e «Rainha de Espadas» e as Sinfonias «Pequeno Russo», «Polonesa» e «Sonhos de um dia de Inverno».

sábado, agosto 11, 2007

Remembering FRINGE



Agosto é mês de férias e como tal as rubricas habituais podem ser suprimidas ou fundidas, é este o caso. Cultura à sexta e "coisas SLIH" num só post sobre o Edinburgh Fringe, parte do Edinburgh Festival. (As saudades da britolândia que não me largam nunca...)

O Fringe, como alguns saberão, é um festival de performing arts mas é um festival tão peculiar que se torna difícil explicá-lo a quem nunca o visitou. As tais artes do espectáculo invadem as ruas, sobretudo a Royal Mile, e os visitantes podem passar horas a ver pequenas peças de teatro, números de circo e de magia, stand up comedy, a ouvir um músico ou a ver um contorcionista. Existem também aqueles que lêem a sina, os que fazem pinturas nas caras, os que fazem tatuagens, os que pintam... Uma balbúrdia de gente de várias proveniências e culturas, unidas no maior festival Fringe do mundo (no mundo da Globalização existem 'fringes' um pouco por todo o lado, mas mais nenhum como o original escocês!).

Mas o Fringe não apenas é um evento cultural de destaque na Europa, é uma forma de viver Edinburgh e, como tal, é uma coisa muito dentro do espírito SLIH, daí merecer o destaque que lhe é dado neste BLOG. Ainda para mais quando, está agora a fazer exactamente um ano, estava eu em Edinburgh, no Fringe, a aproveitar cada minuto de uma incrível aventura por terras da Escócia. Por isso, fica o conselho SLIH: não deixem de ir ao Fringe e a Edinburgh sem esquecer o resto da Escócia, país de lendas e de fadas que nunca desapontará os seus visitantes, basta que acreditem em doendes e em pó de fada, e qualquer viagem será inesquecível!!!

sexta-feira, julho 27, 2007

Cultura à sexta




Les années de Grace, exposição no Fórum Grimaldi, em Monte Carlo, de 12 de Julho a 23 de Setembro de 2007 , presta homenagem à princesa Grace Kelly, por ocasião do 25.º aniversário da sua morte. É a primeira vez que o Principado presta homenagem à Princesa que trocou Hollywood pela promessa de uma vida igual aos contos de fadas.

A exposição percorre toda a vida da Princesa, desde os seu anos de estrela de cinema, em Hollywood, até ao período em que assumiu a condição de Princesa do Mónaco, em 1956 até à sua morte, em 1982. Podemos ver, então, expostos os vestidos, fotografias, cartas e objectos vários, incluindo uma fabulosa colecção de 'Kelly Bags', da Hèrmes, daquela que permanece, até hoje, como uma lenda.

sexta-feira, julho 20, 2007

Cultura à sexta



Amanhã às 0 horas (ou hoje às 24 horas) é lançado mundialmente o último livro do Harry Potter, dez anos depois da publicação do primeiro livro, Harry Potter and the Philosopher's Stone.

A saga do menino feiticeiro, que luta contra o mal, personificado naquele cujo nome não deve ser pronunciado, encanta miúdos e graúdos há dez anos e mantém os fãs reféns do destino das personagens principais e, principalmente, o desfecho da clássica luta do bem contra o mal.

Porém, mais do que os livros, todo um império foi construído à volta de Harry Potter e a sua autora é, hoje, a mais rica mulher de Inglaterra (ultrapassando a própria rainha), deixando para trás um passado de pobre professora que não tinha aquecimento em casa, razão pela qual escrevia num café de Edimburgo, local onde nasceu Harry, Ron, Hermione, Dumbledore e todos os outros.

Neste momento são muitas as versões que circulam na net sobre o desfecho do Harry Potter e não sabendo o que é verdade ou mentira, digo apenas o que gostava: gostava que Dumbledore não estivesse de facto morto e que Snape não fosse 'traidor'; gostava que Harry, Ron e Hermione sobrevivessem e vencessem o Lord Voldemort, gostava que Harry se tornasse Headmaster de Hogwarts (depois de Dumbledore morrer, já muito velhinho) e Hermione Professora de D.A.D.A. e já agora que os dois casassem e tivessem muitos filhos todos óptimos feiticeiros (eu sei que é impossível mas sempre achei que os dois fariam um 'match' perfeito!)! E obviamente gostava que o 'mal', pelo menos nesta história, fosse vencido e erradicado e Voldemort, os Malfoys, os Lestrange e todos Death Eaters fossem presos em Azkaban!





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Actualização do Post, às 02.20 de dia 21 de Julho: JÁ TENHO O ÚLTIMO HARRY COMIGO!!!!!!!

sexta-feira, julho 13, 2007

Cultura à sexta



Este domingo, no La Scala, em Milão, será levado à cena um ballet de homenagem a Gianni Versace, o estilista assassinado há dez anos em Miami. O ballet entitulado Grazie Gianni con Amore é uma rapsódia de vários ballets de Maurice Béjart, com figurinos de Versace, reinventando uma colaboração que se iniciara em 1984 e que se manteve até à morte do estilista.

Este ballet será apenas o ponto alto das iniciativas pensadas pela Câmara Municipal de Milão com o objectivo de recordar e homenagear Gianni Versace. Será inaugurada, também no Domingo, uma exposição sobre a obra de Versace e o seu nome será dado a uma rua da cidade de Milão, também conhecida como a cidade da moda.

Gianni Versace, nascido em Itália em 1946, tornou-se um dos grande ícones da moda dos anos 80 e 90, tornando inconfundível o seu estilo ousado que tornava as mulheres símbolos de sensualidade, usando cores fortes, tecidos colantes e cortes provocadores.

O seu estilo viria a ser considerado ultra-caro, ultra-luxuoso e ultra-glamorouso tornando Versace um dos protagonistas-chave da cultura popular, desde o look ostensivamente gastador e o power dressing dos anos 80 aos excessos espampanantes do gueto no final dos anos 90. O seu uso característico de estampagens, de silhuetas «sex bomb» e as referências à cultura da antiguidade clássica granjearam-lhe uma invejável clientela de ricos e famosos. Madonna, Liz Hurley e Diana Spencer eram algumas das suas mais fiéis clientes.

O Império Versace é hoje composto não apenas pela marca Versace, a mais exclusiva e que incluí moda para homem e senhora e acessórios, mas também as marcas Versace Collection, Versace Sport, Versace Jeans Couture e Versus e ainda o Hotel Palazzo Versace, um complexo turístico de 6 estrelas localizado na Aústrália.

terça-feira, julho 10, 2007

Posts em atraso VI

SEXTA-FEIRA, JULHO 6, 2007

Cultura à sexta


Bustling Aquarelle, Kandinsky

Kandinsky, pintor russo do século XX, faz parte do famoso trio de abstraccionistas que levaram a pintura não figurativa mais longe (os outros são Piet Mondrian e Kasimir Malevich), sendo, possivelmente, o mais reconhecido dos três.

Wassily Kandinsky poderia ter sido apenas mais um professor de direito na velha Rússia dos czares, se não tivesse sido confrontado, certo dia, com um quadro de Monet que se tornaria o seu chamamento para a arte. Numa época em que os críticos mais tradicionalistas consideravam os quadros impressionistas meros borrões de tinta sobre a tela, Kandinsky ficou deslumbrado com essa forma de retratar a realidade, recriando-a e não se limitando a copiá-la. Levaria esta teoria mais longe do que qualquer outro pintor antes dele, "inventando" a pintura abstracta.

Kandinsky começou a sua carreira em Munique onde estudou pintura na escola de Anton Ažbè, que cedo o decepcionou por não lhe permitir a liberdade criativa que ansiava. Já na década de 1910 Kandinsky desenvolve seus primeiros estudos não figurativos, fazendo com que seja considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata.

Com a I Grande Guerra Kandinsky abandona a Alemanha e acaba por regressar à Rússia natal entusiasmado pela Revolução de Outubro. Porém cedo se desilude com o rumo que segue o regime e sobretudo com a corrente oficial de que a arte deveria estar ao serviço do 'Partido'. Volta à Alemanha onde se junta ao movimento modernista Bauhaus sendo professor nessa escola até ao seu encerramento, pelos Nazis, em 1933.

A obra de Kandinsky encontra-se espalhada por vários museus sendo que grande parte da sua colecção se encontra em exposição permamente no museu Guggenheim de New York, onde existe uma sala exclusivamente dedicada ao artista russo, sendo que 150 dos seus quadros se encontram no Guggenheim de Bilbao.

segunda-feira, julho 09, 2007

Posts em atraso I

SEXTA-FEIRA, JUNHO 29, 2007

Cultura à sexta

«Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

(...)

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
»


Mário de Sá-Carneiro, um dos meus poetas portugueses de eleição, foi um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros do Grupo do Orpheu, do qual faziam também parte Fernando Pessoa, Amadeo de Souza Cardoso, Santa Rita Pintor e Almada Negreiros.

Marcado por uma personalidade histriónica e depressiva, Mário de Sá Carneiro usava a sua obra literária para mostrar ao mundo o que se passava na sua complexa cabeça, falando muitas vezes de si como se de um estranho (ou por vezes monstro) se tratasse.

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo e o saudosismo, então em franco declínio. Posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.

Nessas pode mostar de forma muito impressiva a sua personalidade, sendo notória a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação, revelando, ao mesmo tempo, um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.

O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais, levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, plasmado numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesim de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava ("um pouco mais de sol - e fora braza"), sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.

Suícidou-se, com apenas 26 anos, em Paris, no Hotel de Nice com 5 frascos de estricnina, tornando realidade um verso de um dos seus poemas: «Em Paris, é preferível, por causa da legenda...»

sexta-feira, junho 22, 2007

Cultura à sexta


Museu Guggenheim Bilbao, Espanha

Este fabuloso museu de arte contemporânea, situado em Bilbao, é ele próprio uma obra de arte, do ponto de vista da sua estrutura, do enquadramento na paisagem e da quebra com todos os paradigmas clássicos da construção .

Projectado pelo arquiteto Frank Gehry, o Guggenheim de Bilbao é hoje um dos locais mais visitados de toda a Espanha e faz parte do esforço levado a cabo no sentido de tornar Bilbao um pólo turístico apelativo. Hoje a cidade acolhe turistas vindos de toda a parte do mundo, atraídos pelo fabuloso museu.

O edíficio do Guggenheim é todo ele coberto por superfícies de titânio curvas que lembram as escamas de um peixe, o que faz com que o museu se insira perfeitamente na paisagem circundante. Visto do rio, o edifício parece ter a forma de um barco, homenageando a cidade portuária de Bilbao.

Do átrio central, que tem 50 metros de altura e lembra uma flor cheia de curvas, partem passarelas para os três níveis de galerias, o que permite não apenas uma luminosidade improvável num edifício fechado, mas também uma noção de abertura e de contemporanidade que não escapa nem aos visitantes mais desatentos!

O museu acolhe inúmeras exposições anualmente, possuindo uma das melhores colecções de arte contemporânea da actualidade, com obras que representam as várias correntes artísticas do século XX, sejam o cubismo, o futurismo, o construtivismo, o expressionismo alemão, o surrealismo, a pop art, ou o minimalismo.

sexta-feira, junho 15, 2007

Cultura à sexta



Le baiser de l'hotel de Ville, de Robert Doisneau, é uma das mais famosas fotografias do mundo e, provavelmente, das mais românticas de sempre, que evoca os apaixonados da cidade do amor (Paris).

Este trabalho foi encomendado ao famoso fotografo para ilustrar uma reportagem da revista americana «Life» sobre os apaixonados de Paris, e foi tirada em 1950, na Place de l'Hôtel de Ville (em frente ao edifício da Câmara de Paris).

Durante anos acreditou-se que a fotografia fora um instantâneo de um casal apanhado, por acaso, a beijar-se, facto que Doisneau repudia dizendo que tal seria impensável, na medida em que raramente os casais que se encontram em Paris são casais legítimos (!).

Recentemente, toda a verdade foi revelada pelos protagonistas da fotografia, e ficámos a saber que o casal posou mesmo para Doisneau e que se tratavam de 2 aspirantes a actores, Françoise Bornet e Jacques Carteaud. Porém, segundo os próprios, à época da fotografia, estavam mesmo apaixonados.

Independentemente do que possa estar por detrás da fotografia, a verdade é que ninguém fica insensível ao olhá-la e, mais de 50 anos passados, ela mantém toda a mística que durante anos alimentou o imaginário de todos quantos olharam para o casal.

Em 1986 foi feito o primeiro poster da famosa fotografia (que ultrapassou todos os records de venda) e em 2005 a fotografia original, até hoje na posse de Françoise, foi posta à venda por 20.000 euros.

sexta-feira, junho 08, 2007

Cultura à sexta


10.ª Bienal Internacional de Marionetas de Évora

De 5 a 10 de Junho, em Évora, realizar-se-à a 10.ª Bienal de Marionetas. A bienal, o maior festival de marionetas no panorama internacional, comemora esta ano 20 anos de existência e recebe companhias da Argentina, República Checa, Itália, Inglaterra, Brasil, Espanha, França, Japão, Alemanha e Portugal.

Promovida pelo Centro Dramático de Évora (CENDREV), companhia profissional de teatro responsável pelos Bonecos de Santo Aleixo, marionetas tradicionais do Alentejo, a BIME garante ter conquistado «um relevo incontornável no panorama dos festivais internacionais em todo o mundo».

De acordo com os promotores, a importância cultural da BIME no panorama cultural da cidade e do país constitui «um factor de animação e mobilização do público, mas também se assume cada vez mais como cartaz turístico da região alentejana».

Apenas mais um bom motivo para passar por Évora!

sexta-feira, junho 01, 2007

Cultura à sexta


NOS JARDINS GULBENKIAN
De 1 de Junho a 8 de Julho 2007

A partir de hoje e durante seis fins-de-semana (sextas, sábados e domingos), o Jardim da Fundação Gulbenkian será um Jardim do Mundo. Foi concebida uma programação especial para todos os que aí se desloquem, com actividades já habituais, mas organizadas de forma intensiva. No pequeno bosque ou no roseiral, no lago ou no jardim das ondas, há leituras colectivas e oficinas improvisadas, tai-chi e dança do leão, um quiosque com jornais estrangeiros, tertúlias ou propostas para descobrir a flora e fauna.

O jardim será também palco para concertos da Orquestra Gulbenkian e outros de música urbana, e para a aprendizagem de práticas culturais de outros povos, transmitidas por imigrantes em Portugal.Uma programação inserida no Fórum cultural O Estado do Mundo, que tem como mote a expressão do economista e prémio Nobel, Amartya Sem, numa das suas últimas obras: “não basta entendermos que somos todos diferentes mas que o somos diversamente diferentes”.

sexta-feira, maio 25, 2007

Cultura à sexta


Feira do Livro de Lisboa


Começou ontem, no já spot tradicional (Parque Eduardo VII), a Feira do Livro de Lisboa, este ano na sua 77.ª edição. Este evento, imperdível para quem gosta de leitura e de livros, conta este ano com algumas novidades: um espaço exclusivamente dedicado às crianças e a venda, pela primeira vez, de livros em línguas estrangeiras. De salientar, também, que as obras com mais de 18 meses, terão descontos que poderão chegar aos 50%. É uma questão de estarmos atentos e passarmos pela Feira do Livro!


Abertura: 24 de Maio, Quinta-Feira
Encerramento: 10 de Junho, Domingo.
Horários: Todos os dias, das 16:00h às 24:00h

sexta-feira, maio 18, 2007

Cultura à sexta


Masterpiece, Roy Lichtenstein


Roy Lichtensteiné um pintor americano do século XX, que podemos inserir no movimento da Pop Art, que, assim como outros movimentos surge no auge do Modernismo com o objetivo de recriar a sociedade e acabar com o elitismo muitas vezes associado à criação cultural. Os artistas Pop querem chegar às massas e por isso não abdicam de utilizar ícones como a Coca-Cola ou celebridades (Marilyn Monroe e Elvis Presley) para chegar ao maior número de pessoas possível, trazendo a arte para dentro das nossas casas e para as ruas. Ao contrário, porém, do que muitas vezes se pensa, a Pop Art apenas pretendia representar o mundo social da época e celebrar as nuances da linguagem da cultura urbana, sem pretender fazer crítica social ou activismo político.

Lichtenstein celebrizou-se por utilizar o estilo banda desenhada como forma de arte, criando imagens descontextualizadas e desconexas que não dizendo nada, demostram como um quadradinho de BD pode ser uma obra de arte. Ao longo da sua carreira, Lichtenstein passou pelos estilos abstracionista, cubista e expressionista.

Neste momento, e desde 1996 a National Gallery of Art, em Washington, tornou-se o maior repositório de obras deste artista, com uma doação de 154 quadros feita pelo próprio, um ano antes da sua morte. Hoje em dia, há ainda 4.500 trabalhos de Lichtenstein em circulação.

sexta-feira, maio 11, 2007

Cultura à sexta


Breakfast at Tiffany's, 1961

Clássico dos clássicos, este filme de Blake Edwards, de 1961, nomeado para vários Oscars, conta as peripécias de uma social climber, Holly Golightly, fabulosamente interpretada por Audrey Hepburn. Holly é o género de mulher que fica enfeitiçada pelas montras da Tiffany's e que tem por ambição na vida casar com um milionário. Porém, o desajeitado vizinho, Paul, começa a ganhar a sua afeição e a frívola Holly descobre que o dinheiro não compra, afinal, a felicidade, que acaba por a encontrar em Paul (o beijo dos dois, debaixo de chuva é, sem sombra de dúvidas, uma cena de antologia!).

O filme ganhou 2 Oscars (melhor música original - o fabuloso Moon River - e melhor banda sonora) e ganhou um lugar incontestado entre os Clássicos de sempre do cinema!

sexta-feira, abril 27, 2007

Cultura à sexta



Betty Boop, a famosa boneca animada, celebrizada pelo seu «boop-boop-a-doop» e pela sua imagem provocadora e sexy, sempre com saias muitos curtas e com uma liga encarnada à mostra, foi criada em 1930, como namorada de Bimbo, no filme animado Dizzy Dishes. A boneca inspirava-se nas divas da década de 30, sobretudo a actriz e cantora Helen Kane, que se diz ter sido o modelo para a sua criação.

Em 1932, Grim Natwick, o reponsável pelo desenho da boneca, decidiu que o seu aspecto pouco humano, não favorecia a carreira de Betty Boop e redesenhou-a, atribuindo-lhe o penteado que a celebrizou como a primeira flapper em desenho animado. Foi também nesta altura que lhe atribuiram, definitivamente, o nome de Betty Boop. De 1932 até 1939 Betty Boop participou em perto de 100 filmes animados para televisão.

Porém, a imagem demasiado feminina e ousada de Betty Boop cedo levantou problemas com a censura que, em 1934, em nome da moralidade, determinou que Betty não poderia continuar a usar decotes nem roupas insinuantes. Os irmãos Fleischer modificaram, então, a imagem de Betty, vestindo-a até o pescoço, mantendo, contudo em evidência as formas da boneca, e fazendo-a usar roupas justas que a tornaram, aos olhos da crítica, ainda mais provocante. Assim, em 1939, Betty Boop foi mesmo proibida de aparecer nas televisões e cinemas, pelo Comitê Moralizador.

Desde 1939, altura em que a carreira de Betty Boop conheceu um fim abrupto, a boneca tem tido participações esporádicas na televisão e no cinema, tendo tido, no filme «Quem Tramou Roger Rabbit?», em 1988, a sua última aparição cinematrográfica.

A titularidade dos direitos sobre a personagem Betty Boop foi passando de mão em mão, ao longo dos anos, devido a uma série de fusões empresariais, sendo que, actualmente, a Lions Gate Home Entertainment detém os direitos de imagem em vídeo e DVD, a CBS Paramount Television, os direitos de transmissão televisiva e a Paramount Pictures os direitos de uso da imagem de Betty Boop no cinema.

sexta-feira, abril 20, 2007

Cultura à sexta



Está à venda, desde dia 17, uma edição exclusiva e numerada do livro "Os Filhos de Húrin", obra inacabada de J.R.R. Tolkien, que se situa numa fase anterior à do Hobbit e do Senhor dos Anéis, na Primeira Era do Mundo.

Para todos os fãs do mundo fantástico de Tolkien, povoado por Elfos, Anões e Hobbits, é mais uma obra a não perder.


«Num tempo muito remoto, muito, muito antes dos tempos de O Senhor dos Anéis, um grande país se estendia para além dos Portos Cinzentos a Ocidente: terras por onde outrora caminhou Barba de Árvore mas que foram inundadas no grande cataclismo com que findou a Primeira Era do Mundo.

Nesse tempo remoto, Morgoth habitava a vasta fortaleza de Angband, o Inferno de Ferro, no Norte; e a tragédia de Túrin e a sua irmã Niënor desenrola-se sob a sombra do medo de Angband e a guerra forjada por Morgoth contra as terras e cidades secretas dos Elfos.

As suas breves e apaixonadas vidas foram dominadas pelo ódio que Morgoth lhes devotou como filhos de Húrin, o homem que ousou desafiá-lo e zombá-lo na sua própria face. Contra eles, enviou o seu mais formidável servidor, Glaurung, um poderoso espírito na forma de um tremendo dragão de fogo. Nesta história de conquista brutal e evasão, de esconderijos em florestas e perseguição, de resistência apesar do desespero, o Senhor Negro e o Dragão revelam-se de forma sombriamente articulada. Sardónico e trocista, Glaurung manipulou os destinos de Túrin e Niënor com mentiras e astúcia e perfídia diabólica — e a maldição de Morgoth foi cumprida