Mostrando postagens com marcador I'm your man. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador I'm your man. Mostrar todas as postagens

domingo, novembro 11, 2012

Gostar de homens


Um mestre do teatro. Um senhor do cinema. Um homem fascinante. Ler a biografia de Burton é entrar numa montanha russa de emoções e de contradições. Burton não é apenas um intérprete das palavras dos outros. É o homem rude que tinha a cultura de um académico. É o mineiro que falava como um rei. É o alcoólico que transformava qualquer texto numa experiência absoluta de dramatização. É o mulherengo que morreu a querer voltar para a mulher com quem partilhou uma das mais fascinantes histórias de amor do século XX. Um homem de contradições e de extremos. Nunca viveu a vida de forma leve e esta também não lhe foi suave. Mas também não foi nunca indiferente à vida e, talvez por isso, deixou uma marca na cultura, no cinema e no teatro. Viveu intensamente e morreu de forma prematura, aos 59 anos. 

Richard Burton será sempre mais do que um actor. Era um curioso da vida, do mundo e das pessoas. Um eterno estudioso do ser humano (talvez por isso mesmo tão brilhante como actor) e das suas obras. A sua vastíssima biblioteca é a maior prova da sua ávida ânsia por cultura e era o seu grande orgulho (é famosa a frase "home is where the books are") Acalentava o sonho de um dia ser professor numa universidade e, durante um semestre, em 1970, ensinou Poesia em Oxford (ainda que ele próprio não tivesse qualquer grau académico!). Sonhava, também, ser escritor e os seus diários seriam a base das memórias que não chegou a escrever. Ficam os seus filmes e as suas peças de teatro. As suas cartas e toda a mística em torno de um dos homens mais fascinantes do século XX. Impossível não admirar homens assim.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Penitência


Se o arrependimento matasse, pois que eu não estaria em muito boas condições no preciso momento em que escrevo estas linhas.

E porquê? Por isto. Tal texto não apenas é motivo de vergonha e de penitência como quase justificaria a aplicação de castigos corporais (pelo próprio MI6).

Daniel Craig está absoluto neste novíssimo 007. Se começou bem em Casino Royale, a verdade é que tem ganho personalidade e profundidade como James Bond. Está à vontade e não teme comparações: este é o seu Bond. E neste Skyfall não apenas nos faz reencontrar o charme dos espiões de outrora (não apenas evoca, como oblitera Sean Connery - lamento muito, mas é a minha verdade) como é um duro, dos duros a sério. E depois, fica fabuloso no guarda-roupa desenhado (pelo também absoluto) Tom Ford, embora os seus fatos de corte impecável também se amarrotem e se rasguem, como seria, aliás pouco plausível que não acontecesse.

Mas, para além de tudo isso (que já é bastante), o que mais me fascinou em Skyfall é a impecável mistura que Sam Mendes (também absoluto) faz entre o novo e o antigo. O reencontro que ele promove com o passado do mais famoso agente secreto do Reino Unido. E não me refiro apenas ao mítico Aston Martin. Refiro-me a todos os pequenos detalhes do filme que me fizeram sair do cinema com a estranha sensação que, depois de vários anos errante, Bond voltara a casa.

Gostei. É que gostei mesmo!

terça-feira, março 01, 2011

Gostar de Homens




Começou por ser o Mr. Darcy, o protótipo de todas as fantasias femininas inspiradas por Jane Austen. Repetiu o papel no clássico "austeniano" da era moderna, que dá pelo nome de Bridget Jones. Foi par romântico em comédias de sábado à tarde e mostrou que sabe cantar e que não fica mal em plumas e lantejoulas naquele que é o melhor remédio para a depressão e que dá pelo nome de Mamma Mia.

Porém foi como "um homem singular" que lhe ficámos a conhecer um talento invulgar, contido mas verdadeiro, austero mas inteiro. Como George VI, apenas o confirmou, conquistando uma estrela no passeio da fama e ganhando uma sucessão de prémios que diz serem "o momento mais alto da sua carreira".

Aos 50 anos, feitos em Setembro passado, está melhor do que nunca e comprova que, a alguns homens, a idade só faz bem. E é, também por isso, que gostamos dele.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Gostar de Homens



Os russos chamam-lhe, na última edição da GQ, “The last male of Europe”. Podemos não ir tão longe, mas a verdade é que Javier Bardem é magnético. Um homem que não é bonito, mas que tem "qualquer coisa" que é indefinível e que não é apenas talento. Quem com ele trabalha, gaba-lhe a dedicação extrema e o perfeccionismo. Ele compara a construção de uma personagem ao trabalho de um arquitecto e relembra que antes de ser actor quis ser pintor. Não se importa de interpretar doentes, velhos, ou homossexuais. Entrega-se a cada um deles e dá-lhe vida, uma vida própria e única. Ramón Sampedro não é Reinaldo Arenas e nenhum dos dois é Anton Chigurh, o assassino que lhe valeu o Oscar.

O meu preferido, acaba por ser o próprio Bardem. É aí, na sua vida, como boémio e sedutor, que o seu charme está elevado à potência máxima. O verdadeiro "macho latino". Biutiful!


Mais fotografias da edição Russa da GQ com Bardem aqui.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Gostar de Homens


É um pirata que usa eyeliner, sem perder pitada da sua masculinidade. Já teve mãos de tesoura, uma fábrica de chocolates e um chapéu louco. Também foi um barbeiro demoníaco e o criador do Peter Pan. Agora é, simplesmente, um Turista em Veneza, com eyeliner e muito daquele "charme-naif" que tanto sucesso faz com o público feminino.

Boémio e provocador. Pai e marido. Actor de imenso talento: Johnny Depp, uma excelente razão para "gostar de homens".

Mais sobre a reportagem com Johnny Depp na edição de Janeiro da VF, aqui.