sexta-feira, março 18, 2005

O Índice

Eis uma coisa que quero ler atentamente.

Só li o índice, mas tenho já algumas dúvidas, algumas curiosidades e algumas preocupações...

Dúvidas em relação ao plano tecnológico continuar a assumir importância fundamental no Programa do Governo (é tema de abertura!) e pouco se saber sobre ele... e à importância atribuída às autarquias. Será por causa das eleições que se aproximam?

Curiosidade de saber o que vou encontrar no capítulo dedicado ao investimento e às empresas e num outro sobre a consolidação das finanças públicas ! O facto do 'investimento privado' anteceder as 'políticas públicas' para controlo do défice parece-me demasiado 'neo-liberal' para um governo socialista, mas tenho mesmo que ler! Tenho também alguma curiosidade para descobrir como se pretende 'qualificar a democracia'!

Porém, bem mais grave são as preocupações com que fico pela mera leitura do índice!
Preocupação por constatar que a política externa e a política de defesa aparecerem, apenas, no último capítulo, como que parentes pobres renegados para a mesa da criadagem! Quererá isto dizer que tais políticas, fulcrais em qualquer Nação soberana estão subalternizadas a todas as outras? Preocupação maior provoca o capítulo entitulado «Famílias, Igualdade e Tolerância» cujo ponto 4. tem o sugestivo título «política de verdade para a Interrupção Voluntária da Gravidez» e o ponto 5. fala de «Política de não-discriminação»... Pode estar aqui a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora.

E tudo isto são considerações feitas ao correr da pena, pela leitura do índice. Que terei a dizer depois de analisar o conteúdo??

Ainda sobre a polémica de ontem...

...que tem dado muito que falar nos comentários, só tenho uma coisa a dizer: dá gosto 'discutir' ideias com um Senhor.

Tenho saudades...

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De apanhar sol nos jardins de Newnham a ler um livro e ouvir boa música! De descobrir todos os dias uma coisa nova ou uma pessoa interessante. De passear no rio Cam e dos morangos e framboesas compradas no mercado! Do tempo que passava devagar, demorado... Até daquelas aulas mais chatas eu tenho saudades!
Enfim, este ano vou ver se volto...

quinta-feira, março 17, 2005

Lei da Rolha???

Desde que o PS ganhou as eleições que eu ando com problemas no Blogger.

Serão já os efeitos da lei da rolha aplicada à Bloggosfera????

Laughing out loud

Quando o ataque desce ao pormenor é porque na questão de fundo a argumentação era inatacável.

Muito obrigado Idealista! É sempre bom saber que me dá razão!



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Já agora, tenha cuidado e não se engasgue de tanto rir!

Reescrever a história

Quero ver os senhores que andaram a crucificar o Secretário Geral do CDS por ter resolvido fazer uma brincadeira com a fotografia do Professor Freitas, a criticar o senhor Zapatero por ter tirado a estátua do General Franco de um praça de Madrid, durante a noite.
Isso sim é reescrever a história e abrir feridas que há muito tempo que já estavam cicatrizadas!
É caso para dizer que Espanha vai por maus caminhos...

Tréplica ao Idealista

Continuando a polémica instaurada na Bloggosfera, ‘O Idealista’, "que muito prezo", replica, pelo que terá direito a tréplica (parece que o meu papel de agente provocador da Bloggosfera se estendeu a outros Blogs para além do UGAD!).
Pois bem, indo por pontos:
1. No meu primeiro texto, o Idealista, se bem leu, deve ter reparado nesta frase: «Isto tudo para dizer que, com uma triagem adequada de quais os medicamentos que podem ser vendidos sem receita, não me faz a mínima confusão vê-los à venda fora das farmácias». Pois bem, o que quererá isto dizer, amigo Idealista? Pois, quer dizer que eu entendo ser necessário que se definam exactamente quais os medicamentos que podem ser vendidos fora de uma farmácia e aqueles que de modo algum o poderão ser. Vem daí o exemplo da pílula do dia seguinte que repugna qualquer um, quer comprada com couves, quer comprada como se de uma caixa de aspirina se tratasse! (Nem sequer vou entrar na discussão da pílula do dia seguinte propriamente dita!)
2. Já deu para perceber que o Idealista tem um problema com as grandes superfícies e uma tendência para desempenhar o papel de Robin Hood das farmácias. Para dizer a verdade, eu também não gosto de grandes superfícies mas também não nutro nenhum carinho especial por farmácias! Aliás, estas podem perder 1/4 da sua facturação mas continuarão a ter lucro, na medida em que todos sabemos que não há maior negócio no SNS que os medicamentos! Mas, aqui tenho que concordar com o Idealista: a fatia de leão deste negócio não é para as farmácias mas para a indústria farmaceutica!
3. Em relação do SNS e à política dos medicamentos, como é óbvio, as medidas mais importantes não passam pela venda de medicamentos nos supermercados. Esta medida (embora não seja má por si!) não é a solução para os problemas da Saúde em Portugal! É apenas uma cortina de fumo, bem ao estilo socialista. Durante os próximos 4 anos vamos estar a discutir o acessório ao invés de discutir políticas a sério. É o estilo socialista e não é por isso que vamos criticar tudo. Há que reconhecer que esta medida não é intrinsecamente má, porque é meramente acessória!
4. Quanto aos meus arrependimentos, o Idealista que não se iluda! Se há certeza que tenho é que o meu voto no CDS foi muito útil!

A polémica das Farmácias

O Idealista parece muito preocupado com a venda de medicamentos sem receita médica nos supermecados e nas gasolineiras. Fala da saúde pública como se esta alguma coisa tivesse a haver com a venda de medicamentos fora das farmácias.
Eu discordo! Quando quero comprar um remédio que não precisa de receita médica não vou perguntar ao farmacéutico o que ele acha (o mesmo para os que precisam - afinal se o médico receita, eu confio!) Se quero ben-u-ron ou aspirina compro, sem mais!
Já o Diogo partilha a mesma opinião que eu. Também ele entende que se tal medida contribuir para a diminuição do preço dos medicamentos, quem ganha é o cidadão! Quanto ao problema que entretanto o Diogo levanta, o da pílula do dia seguinte, de facto far-me-ia confusão vê-la à venda num supermercado, numa bomba de gasolina ou, até, numa loja de conveniência. Mas a questão aí é diferente (e prévia!): saber se é admissível que a pílula do dia seguinte seja vendida sem receita médica (é favor juntar esta questão àquela que dá conta do abuso deste fármaco pelas jovens portuguesas).
Isto tudo para dizer que, com uma triagem adequada de quais os medicamentos que podem ser vendidos sem receita, não me faz a mínima confusão vê-los à venda fora das farmácias.
Quanto à questão da cedência aos lobbies dos hipermercados ou da indústria farmacéutica, levantada pelo Idealista, até acredito. Mas se a medida em si acaba por ser vantajosa para o cidadão, o que importa que a sua motivação tenha sido a mais errada? Não poderá ser este um caso de 'escrever direito por linhas tortas'?

Boa-nova p'ra Bloggosfera

Eis que «O Estado das Coisas» voltou à antena!

Mais uma estrela na constelação bloggosférica, ou não fosse este o BLOG do Zé Bourbon Ribeiro!

«O Estado das Coisas» passará a ser leitura obrigatória diária e vai já direitinho para os meus links!




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Gostei muito da escolha da Adriana Partimpim e o seu «Fico assim sem você»!

O Presidente de uns quantos portugueses...

... elegeu a Imigração como o seu novo combate!
Propõe o Senhor Sampaio políticas de imigração que ajudem à integração, que sejam flexíveis e pouco burocráticos. Isto tudo porque foi hoje publicado um estudo que diz que os portugueses são os mais xenófobos da UE. (Sinceramente custa-me a acreditar que os portugueses sejam mais xenófobos que os franceses ou que os alemães, mas não é esse o meu problema!)
O que eu acho verdadeiramente surreal é que o Presidente que, há três meses atrás, estava sempre tão preocupado com o défice, com a economia, com a justiça, com a política externa, ou com a defesa agora fale de temas tão interessantes como a imigração e a suposta xenofobia dos portugueses!
Realmente, é muito triste ter um Chefe de Estado parcial... que ao invés de responder perante os portugueses responde aos senhores que emitem o 'cartão de acesso' ao Palácio de Belém (no caso os do PS!).
É por estas e por outras que eu sou monárquica!

O amor visto através da razão

É raro ver um artigo de opinião, num jornal de referência, sobre o amor. Mais estranho ainda é quando o autor é um conhecido Professor Universitário, homem do mundo das leis e do direito, mundo interessante, mas demasiado pragmático para poder comportar romantismo!

Mais foi mesmo o amor que serviu de mote a um fantástico artigo de Miguel Poiares Maduro no DN de hoje. (E agradeço à amiga que me chamou a atenção para ele!)

A quem não leu aconselho que vá lá ler...

Aqui em casa, fica um pequeno excerto!

quarta-feira, março 16, 2005

I can't fight this feeling any longer

Há muito tempo que não ouvia esta música, de que gosto bastante, e cuja letra, reparei hoje, que é muito bonita. Aqui fica. Pode ser que mais alguém goste de a ler (e já agora a ouvir!)

I can't fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show

I tell myself that I can't hold out forever
I said there is no reason for my fear
'Cause I feel so secure when we're together
You give my life direction, you make everything so clear

And even as I wander,
I'm keeping you in sight
You're a candle in the window
On a cold, dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might

And I can't fight this feeling anymore
I've forgotten what I started fighting for
It's time to bring this ship into the shore
And throw away the oars forever

'Cause I can't fight this feeling anymore
I've forgotten what I started fighting for
And if I have to crawl upon the floor,
Come crashing through your door,
Baby, I can't fight this feeling anymore

My life has been such a whirlwind since I saw you
I've been running around in circles in my mind
And it always seems that I'm following you,
Cause you take me to the places that alone I'd never find

And even as I wander,
I'm keeping you in sight
You're a candle in the window
On a cold, dark winter's night
And I'm getting closer than I ever thought I might

And I can't fight this feeling anymore
I've forgotten what I started fighting for
It's time to bring this ship into the shore
And throw away the oars forever

'Cause I can't fight this feeling anymore
I've forgotten what I started fighting for
And if I have to crawl upon the floor,
Come crashing through your door,
Baby, I can't fight this feeling anymore


REO Speedwagon

So why don't we go, somewhere only we know?

I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and i need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and i need somewhere to begin

I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love
Is this the place that i've been dreaming of

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and i need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and i need somewhere to begin

And if you have a minute why don't we go
talk about it somewhere only we know
this could be the end of everything
so why don't we go
somewhere only we know

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and i need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and i need somewhere to begin

And if you have a minute why don't we go
talk about it somewhere only we know
this could be the end of everything
so why don't we go
somewhere only we know

(...) this could be the end of everything
so why don't we go
somewhere only we know



Keane, «Somewhere only we know»

O Regresso do Menino Guerreiro

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O Menino Guerreiro está de volta ao(s) Paço(s)!

Porém, e não querendo brincar com coisas sérias, descobrimos agora que o tal menino, ao invés de guerreiro é suicida.

Aconselho, então, a mudança de nome e de banda sonora para o "Homem Bomba". Sinal de maior maturidade e maior adequação à realidade!

terça-feira, março 15, 2005

SLIH agradece aos fãs

As suas 14000 entradas!


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E por aqui também...

Porque faço hoje seis meses...

23 anos e seis meses, uma idade respeitável!!!!!


(Podem dar os parabéns!)

Há festa aqui ao lado!

Pois é verdade, aqui ao lado há festa!
O «Uma Geração às Direitas» comemora hoje o seu primeiro ano de vida, e esse momento para mim tem grande importância, não apenas como 'sócia' fundadora do UGAD, mas também como leitora (mais do que 'Bloggista') assísua do que por lá se escreve, e podem crer que se escrevem textos de grande qualidade!
Tenho a certeza que depois de um primeiro ano tão bem sucedido, os Bloggistas de Direita só têm razões para estar orgulhosos do seu trabalho ao longo deste ano!
Parabéns UGAD!

segunda-feira, março 14, 2005

Felicidade

«Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.»

Mia Couto, «Mar me Quer»

domingo, março 13, 2005





You Are a Look At Me Blogger!



Cute pics, blog drama, whatever it takes to get traffic.
You're notorious ... either loved or hated by all!

sábado, março 12, 2005

A remodelação*

Foi hoje a empossar o XVII Governo Constitucional, o que quer dizer que a contagem decrescente para a remodelação já começou. Atendendo à capacidade já demonstrada pelo PS, para captar ex-presidentes de outros partidos (como foi o caso de Sousa Franco nas Finanças, com Guterres e de Freitas do Amaral no MNE, com Sócrates), pode-se já imaginar o que será o futuro governo de estrelas, na pós-remodelação de uma próxima silly season.
Pois bem, em primeira mão, digo-vos que Sócrates terá já sondado alguns ex-presidentes partidários, que não manifestaram grande reserva em verem as suas respectivas fotografias remetidas para o Largo do Rato! E garanto que será uma equipa de luxo, atentem bem:
Cavaco Silva estaria disponível para integrar o Executivo de Sócrates como super-Ministro do Desporto e dos Assuntos Culturais (e de Estado, como é óbvio!). Como única condição, o Professor impôs, atendendo à acumulação de pastas, dividir o seu cargo com Maria Cavaco Silva, pedido a que Sócrates acedeu de imediato. Teremos pois pastas conjuntas, com tutela partilhada, no que seria já um hábito!
Álvaro Cunhal acedeu participar, não obstante as suas limitações de agenda, pelo que o lugar que lhe estará destinado será o da Secretaria de Estado da Juventude, com uma sub-Secretaria de Estado para a Renovação, tutelada por Carlos Carvalhas.
Fernando Nogueira, a viver em Paris há vários anos, acedeu ao convite de trocar o BCP pela pasta das comunidades portuguesas, sendo que, para a sua decisão, muito contribuiu poder trabalhar com alguém com a coerência de Freitas do Amaral!
Rui Machette protagonizará uma experiência única a nível governativo, que será a da divisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros em duas partes, sendo que Machette ficará com a tutela das relações transatlânticas e com a ala direita das Necessidades (a esquerda continua com Freitas). Acumulará ainda com a pasta das (empreitadas de) Obras Públicas.
Pinto Balsemão também já acedeu ao convite de Sócrates e deverá assumir a pasta do Turismo e Desportos de Inverno.
Marcelo Rebelo de Sousa, depois de longas negociações, aceitou o convite de Sócrates, mas terá imposto várias condições que importam alguma ginástica na orgânica do Governo. Tutelará, em conjunto, as pastas da Comunicação, dos Assuntos do Mar, da Educação e Ensino Superior e dos Assuntos Parlamentares, num Super Ministério que tem a designação provisória de "Ministério do homem que escreve com as duas mãos dois textos diferentes e dorme apenas três horas por noite e todos os dias mergulha no Guincho", ou seja, o MHEDMDTDDATHNTDMG!
Manuel Monteiro, pelo contrário, nenhuma condição impôs. Apenas queria ser Ministro e como tal, segundo fonte próxima, terá dito a Sócrates «Já que sou um líder sem partido, sem sede e (quase) sem eleitores, por que não ser um Ministro sem Pasta?». Sócrates terá aceitado a sugestão!
Pedro Santana Lopes terá sido o caso mais complicado para o actual PM, mas acabou por aceitar um lugar de subsecretário de estado, na dependência directa do super ministério de Cavaco. Negoceia-se, ainda, que fique com a tutela da Habitação.
Mas alguns ex-líderes ficaram de fora... Durão Barroso ter-se-á mostrado indisponível para voltar à política doméstica e Adriano Moreira e Paulo Portas não mostraram disponibilidade de ver as respectivas fotografias fora do Caldas!
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* Este texto é pura fantasia. A autora não se responsabiliza por qualquer futura ou eventual semelhança com a realidade.

sexta-feira, março 11, 2005

E eu que achava que seria o 15!!!!!



Your Love Number is

7

When you fall in love, you experience it to the fullest.
You are a cheerful, joyful soul - and you attract people easily.
While you fall for people quickly, you also fall out of love quickly.
It takes a dynamic, exciting lover to keep your attention long term!



quinta-feira, março 10, 2005

O problema de Freitas

Não é segredo que eu sou pró-americana e até tenho uma certa simpatia por Bush.
Porém não é por isso que não gosto de ver Freitas no MNE (muito menos será por Freitas ter sido CDS em tempos e ter saído!). O meu problema não é, de igual modo, a infeliz frase em que o Professor comparava Bush a Hitler, muito menos o desfile na Avenida da Liberdade de braço dado com o 'camarada' Louçã. Eu sei perfeitamente que o Professor Freitas é um homem inteligente e que saberá, decerto, distinguir aquilo que são as suas posições pessoais daquilo que é (ou deverá ser) a condução da política externa portuguesa. Por isso, não imagino Freitas a proferir, como Ministro, frases do género das que disse em 2002 durante a intervenção americana no Iraque. (Se o fizer, para mim, será uma surpresa!)
O que me preocupa (e muito) em Freitas é que o seu anti-americanismo vem acompanhado de visões da Europa que não me agradam. O Professor é daqueles que apoia veementemente (e há muitos anos, honra lhe seja feita) o federalismo no seio da União Europeia e partilha daquelas visões meio absurdas, meio idealistas, que vêem a Europa Federal como um contra-poder aos Estados Unidos (um mundo novamente bipolar!).
Ora, esse sim, é o sinal que eu pessoalmente não quero ver imprimir à política externa portuguesa, sobretudo num momento em que a Aprovação do TCUE poderia abrir na sociedade portuguesa o debate Europeu que, até hoje, nunca foi feito, sendo até muito útil que tal texto fosse chumbado, na medida em que a actual conjuntura internacional não se compagina com o caminho que tal tratado pretende preparar! Para mim, é uma evidência que a Europa não está preparada para um Governo único, que fale a uma só voz, principalmente em assuntos tão delicados como os de política externa, em que as divergências são imensas!
Indo ao porquê dos meus receios, Portugal mexe-se, em termos de política externa, em três eixos fundamentais: o eixo Europeu, o eixo euro-atlântico e o eixo da 'portugalidade' (as nossas antigas colónias). A política externa terá sempre que assentar nestes três eixos para ser equilibrada. Sempre que seja dado maior ênfase a um deles Portugal sairá prejudicado.Ora, ter no MNE um adepto confesso de uma política Europeia de pendor federalista e, ainda por cima, com más relações com os EUA, contribuirá para subalternizar o eixo euro-atlântico que Portugal sempre preservou e que, neste momento, poderia ser crucial, num contexto em que os aliados dos EUA na Europa não são muitos e, tendo em atenção que a Espanha de Zapatero não é a Espanha de Aznar, Portugal seria interlocutor privilegiado com a Administração Americana!
Para além do mais, se há coisa que me irrita na União Europeia é o Eixo Franco-Alemão e as suas ideias de construção de um contra-poder europeu aos Estados Unidos, partilhadas pelo nosso actual MNE.
Como já foi cabalmente explicado, só há duas formas da Europa se sobrepor aos Estados Unidos: a económica e a militar. Se economicamente a tese ainda poderia ser viável, a longo prazo, militarmente só em sonhos, e nos mais ousados! Basta atentar ao facto de que o Orçamento dos EUA para a Defesa é superior ao orçamento do total dos países da Nato somados, excluindo os próprios EUA, como é óbvio! Mas há mais, podem dizer-me que os Estados Unidos da Europa podiam aumentar o seu orçamento em Defesa e com isso igualar os EUA. Engano. Para além dos EUA partirem em franca vantagem, o seu Orçamento, embora elevadíssimo, representa à volta de 3,5% do PIB. Para a Europa fazer face a este tipo de investimento teria que, quase, triplicar o seu investimento em Defesa, o que signicava que o seu orçamento para a Defesa teria que representar mais de 6% do PIB. Tal nível de investimento, implicaria a ruína do Estado previdência na Europa. Será que o Eixo Franco Alemão estará disposto a pagar esse preço? Como é claro, tais ideias são completamente impraticáveis e, de facto, o mundo em que vivemos é, desde o final da Guerra Fria, unipolar tanto ao nível económico como militar! Não há poder que possa fazer frente ao gigante americano e qualquer sonho Europeu nesse sentido só poderá conduzir à ruína dos seus promotores.
É por essa razão que acho perigoso ter um MNE anti-americano e federalista, na medida em que ele vai recentrar a nossa política externa na Europa e vai alinhar pelo eixo-franco-alemão que vê o aprofundamento da União Europeia, através do federalismo, como condição para a criação do tal contra-poder.
Mais do que qualquer outra coisa, ter Freitas como MNE é perigoso e uma aposta manifestamente desajustada. A menos que ela não queira dizer nada em termos estratégicos e seja apenas 'fogo de vista'!

A doutrina Sampaio

Se bem aplicada, a doutrina de Sampaio, conduziria à dissolução da Assembleia ainda antes da tomada de posse do XVII Governo, que seria o primeiro Governo a deixar de ser o que nunca foi!!!!!

Afinal, há claros sinais de instabilidade política que podem pôr em causa o regular funcionamento das instituições. Vejamos, já temos descontrolo dentro do Governo (o ministro das finanças já contradiz promessas do PM); já temos quem queira mandar mais que o PM (Freitas quis saber quem eram os seus colegas de governo antes de aceitar o lugar), já temos em aberto várias divergências gritantes e incompatibilidades notórias (finanças vs economia; MNE vs Defesa; etc...), já temos quem se queira demarcar do Governo (não foi por acaso que Vitorino voltou à advocacia!), e agora até já temos os nomes dos secretários de estado decididos na Bloggosfera (o respectivo cargo decide-se na hora segundo moda inaugurada, pelo ex PM, na posse de Teresa Caeiro!). Isto para não falar das opiniões do MNE sobre os Estados Unidos e sobre o Presidente Bush que, em qualquer país civilizado, fariam com que tal pessoa jamais pudesse ocupar o lugar de Ministro!

Por tudo isto, eu entendo que o Senhor Presidente, face a estes claros sinais de instabilidade e de incapacidade, deveria dissolver o Parlamento e convocar novas eleições o mais rapidamente possível. De preferência ainda antes da tomada de posse!

Uma tempestade Acidental...

Foi o que aconteceu hoje por aqui... chuva de visitas, vendaval de entradas...

Linkagens

Tal como prometi, os links (aqui ao lado) foram actualizados, por forma a que o Some Like it Hot pratique o princípio da reciprocidade da 'linkagem' de forma cabal!

Acho que é uma bonita regra de conduta a constar do futuro Código Deontológico da Bloggosfera!