
Quebrando com a tendência «Rat Pack», aqui está uma das minhas preferidas do grande Elton John, «Goodbye Yellow Brick Road»:

*
Strangers in the night exchanging glances
Wond’ring in the night
What were the chances we’d be sharing love
Before the night was through.
Something in your eyes was so inviting,
Something in you smile was so exciting,
Something in my heart,
Told me I must have you.
Strangers in the night, two lonely people
We were strangers in the night
Up to the moment
When we said our first hello.
Little did we know
Love was just a glance away,
A warm embracing dance away and -
Ever since that night we’ve been together.
Lovers at first sight, in love forever.
It turned out so right,
For strangers in the night.


Pessoalmente, cheguei à Fil, no sábado, com o meu voto definido: TC era o meu candidato. Os discursos, naquela tarde, foram uma surpresa, mas não chegaram para me baralhar as intenções. Na forma, o de JRC foi bem mais inspirado e entusiasmante que o de TC, o orador brilhante, que tentou um discurso ‘à Portas’, mas faltou-lhe a alma e a paixão. No conteúdo, TC fez um discurso de homem de estado, perdeu-se em citações e falou ao país, enquanto JRC, percebendo a orfandade que sentiam os congressistas, falou ao coração dos militantes do CDS, virou-se para dentro do Partido, prometendo esperança e um retorno às origens. No que importa, verdadeiramente, ambos estavam de acordo: Sim ao Tratado Constitucional, Não ao aborto, coligação nas Presidenciais e, pontualmente, em algumas Câmaras. Nenhuma diferença de fundo e o rumo proposto parecia comum: a via da Direita a ser conquistada.
Seguiu-se, depois, o desfile dos apoios para um e outro lado e todos pudemos perceber como a história do eucalipto do Pacheco Pereira era um perfeito disparate. Ao longo da tarde não vi um partido murcho ou seco, mas um partido vivo e cheio de vontade de crescer e de ir à luta. Vi a discussão de ideias e assisti a discursos mobilizadores (tanto de apoiantes de JRC, como de TC). Não assisti, porém, a ataques pessoais, ou a intervenções mesquinhas. Houve combate político no seu sentido mais puro e mais elevado. Realço, porém, aquele que foi, para mim, um dos melhores discursos do Congresso, o de António Pires de Lima, o homem que representou, no XX Congresso, a abertura do CDS a um discurso mais liberal e mais pragmático, dirigido aos empresários, que pedem menos Estado, à classe média e aos jovens, que confiaram no CDS! Um discurso realista e descomplexado, que não entrou na disputa (na qual, a certa altura, pareceram embarcar TC e JRC) de quem é mais democrata-cristão! De matriz democrata-cristã seremos todos (ou quase todos!) mas há alguns de nós que preferiam ver um partido mais aberto e mais liberal, e que entenderam que TC corporizava melhor essa oportunidade de mudança e de abertura (por ser esse o caminho da Moção Afirmar Portugal e de alguns dos apoiantes de TC, nomeadamente Pires de Lima e Teresa Caeiro).
A minha escolha foi, portanto, a escolha da abertura e do pragmatismo, em detrimento de um partido mais ideológico e vincadamente Democrata-Cristão. Se me perguntarem quando soube que JRC ganharia o congresso, respondo que tive a certeza disso no final do seu último discurso. A sorte favorecera-o ao dar-lhe a oportunidade de falar por último e, uma vez mais, JRC aproveitou bem a sua sorte. Fez um grande discurso e conquistou, ali mesmo, os congressistas que poderiam ainda ter dúvidas. Antes dele, TC fizera um excelente discurso (tarde de mais, talvez) que não conseguiu, ainda assim, quebrar com o crescendo de apoios que JRC fora conquistando ao longo da tarde e da noite. Há momentos decisivos em que, para além dos Homens (e na disputa estavam dois grandes Homens), a sorte é determinante. JRC teve os ‘deuses’ do seu lado este fim de semana (o Benfica até ganhou ao Estoril!) e TC cometeu, muito provavelmente, erros que um dia algum politólogo se dedicará a estudar!
Embora TC fosse aquele que melhor corporizava aquilo que queria para o CDS e embora tenha sido nele que votei, no final do Congresso não estava triste. E isto porque o CDS deu, ao longo de dois dias, um magnífico exemplo de Democracia e de Liberdade! Como diz, e muito bem, o Zé, este foi um Congresso disputado entre dois homens bons e, talvez por isso, eu soubesse, perfeitamente, que quer ganhasse TC, quer ganhasse JRC, o meu CDS estaria muito bem entregue e o nosso futuro como partido assegurado. Talvez não tenha ganho a linha que mais se aproxima do meu próprio pensamento, mas ganhou um homem que demonstrou paixão pelo CDS e vontade de o fazer voltar a crescer. Isso deve deixar os militantes tranquilos, porque hoje somos todos CDS e só podemos sentir-nos felizes pelo magnífico exemplo que demos e pelo facto de Paulo Portas ter deixado o nosso partido mais vivo e mais dinâmico do que nunca, maduro e capaz de escolher, num clima sereno, mas disputado, aquele que conduzirá os nossos destinos nos próximos anos. Também aqui (para além de tudo – e é muito esse Tudo! - o que lhe devemos agradecer!) merece o nosso agradecimento, pela forma como permitiu que o CDS se sentisse livre para escolher o seu futuro pós ‘Paulo Portas’.
Pela maturidade política demonstrada, estamos todos de parabéns, mas, sobretudo está de parabéns a Democracia!
