sexta-feira, março 30, 2007

Lollypop



Uma loja, muitas coisas giras, divertidas, originais, kitsch. Fiquei com os olhos num saco branco, lindo...

Notas soltas

Ontem na minha aula de Regimes e Sistemas Políticos, o Professor (pessoa insuspeita, por sinal, de fazer parte da trupe Portista) referiu-se à liderança do Dr. Ribeiro e Castro no passado...

Isto, que não quer dizer nada, afinal quer dizer tudo...

Cultura à sexta


Empire State Building


O edíficio mais alto de Nova Iorque (de 1931 a 1972 e de novo desde 2001), foi inaugurado no dia 1 de Maio de 1931, pelo Presidente Hoover que, de Washington, lhe acendeu todas as luzes, causando sensação na cidade que nunca dorme. Construído em pleno período da Grande Depressão, este edifício, dos arquitectos Shreve, Lamb and Harmon, no estilo Art Deco, tornou-se o ícone de Nova Iorque.

O Empire State Building foi construído em apenas catorze meses, tem 381 metros de altura e 102 andares. Com a antena de televisão que se colocou, posteriormente, chegou aos 448 metros, tornando-se o edifício mais alto do mundo, até à inauguração do World Trade Center, em Nova Iorque, e da Sears Tower, em Chicago.

Desde o palco de encontros românticos (An Affair to Remember, Love Affair e Sleepless in Seattle) a cenários das acrobacias do Spider Man ou do King Kong, o Empire State Building marca o skyline de NYC e é impossível vê-lo sem imaginarmos, de imediato, the Big Apple.

Por último o apontamento pessoal: estive lá no dia em que completou 65 anos... bora repetir nos 80?

segunda-feira, março 26, 2007

Porque em 11 posts não havia nenhum do Clooney*





* E isso é um factor de desvalorização do SLIH.

Os grandes Portugueses

Ontem, ao final do dia, estava profundamente dilacerada pela dúvida: ver um filme que nunca tinha visto ou ficar a ver a Gala dos Grandes Portugueses? Ao fim de alguns minutos de indecisão, optei por esta última, não apenas porque Paulo Portas (o novo Príncipe Perfeito) estava um charme e eu sou de, algum modo, sensível à sua presença televisiva, mas também porque os primeiros minutos daquela Gala deram para perceber que ao longo da noite haveriamos de assistir a grandes momentos de comédia que, se eu os perdesse, não poderia ver, mais tarde, recuperados num qualquer DVD.

Quanto aos votos, no momento em que me decidi a votar no meu Tuga preferido, verifiquei que não tinha saldo nos telemóveis.... miséria! Lá ficou sem voto o meu querido D. Afonso Henriques, um 'gajo duro' (tough guy na linguagem de Scorcese), que bateu na mãe e que tinha laivos de George W. Bush no que toca aos mouros. Este é, sem dúvida, o grande Português que teria merecido os meus dois votos (meu e do meu alter ego para as comunicações móveis), não apenas por ser o fundador desta Grande Nação (ainda acreditamos que assim é) e o pai de todos os Portugueses, mas, também, por ser um bravo que tinha algumas das características que mais aprecio num dirigente político: era um estratega brilhante; era um negociador hábil; tinha coragem física fora do comum; era um líder incontestado (e quem contestava teria que sofrer as naturais consequências, ao modo da época); e era um visionário que perseguia um sonho: sonho esse que era Portugal!

(Também é verdade que D. João II possuía todas estas qualidades para além de uma outra, que muito aprecio: tinha como defensor o político vivo que eu mais admiro. Mas nem isso foi suficiente para fazer balançar a minha intenção de voto no fundador!)

Pois bem, indo ao resultado...Confesso que só pela reacção da Dr.ª Odete Santos (que se contorcia qual bruxa na fogueira da Santa Inquisição) valeu a pena Salazar ganhar! Mas, naturalmente, que é um resultado que eu considero infeliz, embora perfeitamente explicável por três ordens de razões:

1.º O programa, a certa altura, transformou-se num private combat entre Salazar e Cunhal, levando a uma natural polarização de votos. Quem não queria que Cunhal ganhasse (qualquer Português lúcido) acabou por votar em Salazar. Os outros candidatos eclipsaram-se na presença de duas figuras que, depois da morte, travaram o combate das suas vidas: neste contexto Salazar ganhou, e bem!

2.º Todos nós já percebemos que os 32 anos que levamos de liberdade e de democracia (sim, estão bem contados!) não terão sido os mais felizes! Hoje em dia não estaremos pior que em 73 mas também não estamos necessariamente muito melhor. As finanças não estabilizam. A economia não arranca. A educação não melhora. A justiça não funciona. A saúde não dá respostas. O prestígio de Portugal deve-se unicamente à Selecção de futebol (e de rugby)... Enfim, Portugal não avança, não cresce, não se moderniza. E quem olha à volta e não gosta do que vê, votou Salazar como um aviso muito sério aos nossos governantes: «Atenção rapazes que o caminho não é por aqui!».

3.º Salazar obviamente que não merecia ganhar a D. Afonso Henriques, ao Infante, a D. João II, a Vasco da Gama (como também não merecia ficar à frente de D. Dinis, de D. João I, etc... etc... etc...) nem merecia ganhar ao Pessoa ou ao Camões que, nas artes, são símbolos máximos do génio português. Mas percebe-se que, no ambiente de concurso, os Portugueses tenham preferido prestigiar aqueles que lhes estão mais próximos e sobre os quais a 'paixão' ainda é forte. Com Salazar ainda não há distanciamento histórico para uma análise desapaixonada. Provavelmente, daqui por 100 anos, Salazar poderá estar nos 100 mais mas não chegará, muito possivelmente, a uma final. Pelo contrário, todos os 7 candidatos que ficaram nos últimos lugares são valores seguros nacionais, que já ganharam a sua projecção definitiva e em relação aos quais o passar dos anos nada irá afectar.

Porém, não obstante estes pontos que justificam e desdramatizam a vitória de Salazar, mais grave considero eu os 2.º e 3.ºs lugares. Como é que Cunhal e Aristides de Sousa Mendes podem ficar à frente de figuras de incontornável grandesa???? Como podem eles fazer esquecer o Rei fundador da nacionalidade? O Príncipe-Perfeito, estratega da expansão portuguesa? Vasco da Gama e o Infante na sua ânsia de conquistar novos mundos? O Marquês no seu génio empresarial e arquitectónico? Os dois maiores poetas portugueses? Enfim, acho fraco, fraquíssimo termos estes dois senhores nos lugares cimeiros. Provavelmente também isto diz alguam coisa sobre as causas da decadência dos povos peninsulares!

Por último dois momentos que eu considero o melhor non-sense do show:

1. Para o bem, tivemos Paulo Portas a advogar que o álcool não é uma fraqueza ou um vício (no sentido de vicious e não de addition) e a chamar puritanos aos restantes convivas. Lembrou, e bem, Churchill e demonstrou que, de facto, vícios privados não podem ser considerados na apreciação da vida pública. Foi, sem dúvida, genial!

2. Para o mal, ouvimos Ana Gomes a deixar no ar a suspeição de que Vasco da Gama seria gay. Não quero atirar axas para a fogueira, mas temos que ver que Vasco da Gama era navegador, nas naus só viajavam homens, passavam muitos meses a navegar e com aquela defesa dos gays pela sua defensora, completamente descontextualizada de tudo... Ui, não sei não, mas parece-me que o Gama já não se livra da fama, coitado!

Por último confesso que Portas esteve perfeito na defesa do seu príncipe e que Jaime Nogueira Pinto, apesar da má educação da senhora que estava ao seu lado, se comportou muito bem na defesa de António de Oliveira Salazar!

domingo, março 25, 2007

Eu hoje acordei aqui


Hotel Astoria, Bruxelas

Em Bruxelas, a respirar Europa no dia em que faz 50 anos que foi assinado o Tratado de Roma. (E, já que aqui estou, aproveito para festejar a vitória de Portugal com uns chocolates belgas!)

Portugal e os Jogos

Ontem Portugal fez história: a selecção nacional de futebol ganhou à Belgica, por 4-0, o que nunca tinha acontecido em jogos oficiais, e a selecção nacional de rugby ganhou ao Uruguay e qualificou-se para o Mundial de 2007.

São estes momentos que nos fazem sentir patriotas!

sexta-feira, março 23, 2007

Cultura à sexta



Este domingo Elton John comemora os seus 60 anos com o lançamento do CD/DVD The Rocket Man, que vai juntar canções de mais de 30 anos de carreira, só números 1.

Um must have que poderá ser pré-encomendado na Amazon.co.uk ou no site do Sir Elton.

1.Goodbye Yellow Brick Road (3:14) - #1 Cash Box Pop, 1973
2.Bennie & The Jets (5;23) - #1 Billboard Pop, 1973
3.Daniel (3:54) - #1 Billboard A/C for two weeks, 1973
4.Crocodile Rock (3:55) - #1 Billboard Pop for three weeks, 1973
5.Lucy In The Sky With Diamonds (5:56) - #1 Billboard Pop for two weeks, 1974
6.Philadelphia Freedom (5:20) - #1 Billboard Pop for two weeks, 1975
7.Island Girl (3:43) - #1 Billboard Pop for three weeks, 1975
8.Don’t Go Breaking My Heart (w/Kiki Dee) (4:35) - #1 Billboard Pop for four weeks & #1 Billboard A/C, 1976
9.Sorry Seems To Be The Hardest Word (3:50) - #1 Billboard A/C, 1976
10.Sacrifice (5:06) - #1 U.K. Pop, 1990
11.Don’t Let The Sun Go Down On Me (w/George Michael) (5:38) - #1 Billboard Pop & A/C, 1992
12.Can You Feel The Love Tonight (4:01) - #1 Billboard Pop for 8 weeks, 1994
13.Your Song (4:05)
14.Tiny Dancer (6:18)
15.Rocket Man (4:41)
16.Candle In the Wind (3:50)
17.Saturday Night’s Alright For Fighting (4:54)

Retirement is survival of the wisest*

Ao que parece a minha argumentação não estava ferida nem de ilegalidade, nem de parcialidade, na medida em que o órgão jurisdicional do CDS, imparcial e eleito nas listas do Dr. Ribeiro e Castro, veio dar razão àqueles que, como eu, advogavam a possível compatibilização do requerimento de Leiria com a votação das eleições directas, feita em Conselho Nacional.

Assim, se demonstra quem agiu dentro da estrita legalidade e quem, a todo o custo, tenta destruir os órgãos do partido, fazendo apelo a golpadas, assaltos ao poder e outras analogias pouco próprias de partidos democráticos. Não me espanto, porém, com estas atitudes, embora as lamente.

É, no entanto, muito triste ver que alguns, face às evidências, ainda assim não têm a noção de que o seu tempo passou e de que o futuro os ultrapassou... essa incapacidade de ler a realidade leva a saídas muito feias e a cenas deploráveis. Se todos, pelo menos, tivessem o bom senso de Katherine Hepburn!



* Katherine Hepburn

Porque eu acredito em contos de fadas...



Eu sempre tive um fascínio pelo Rei Artur e esta noite sonhei* com novas aventuras do Rei das lendas...

Depois de uma longa travessia no país das fadas, onde Artur se perdera no final de uma cruel batalha contra os saxões, o Rei regressa, por entre as brumas e cruéis feiticeiros, à conquista de Camelot! Terá que vencer o inimigo, instalado no seu castelo, e construir um novo exército. Terá que reconquistar a confiança dos seus súbditos e apagar da memórias os tristes dias do poder das trevas, que destruiu o reino. Camelot já não tem alegria nem vontade de continuar a lutar. Camelot precisa de esperança, precisa de recomeçar e precisa de alguém que lhe recupere o prestígio de outros tempos.

E, como sempre, o rei Artur não falha!




* E porque os meus sonhos têm banda sonora, podem ouvi-la aqui.

quinta-feira, março 22, 2007

So stylish



Foi-me dado a conhecer um fantástico BLOG que se apresenta, simplesmente, com uma frase: «Your Daily Update on Life and Style». E é disso mesmo que se trata: moda, decoração, exposições, cinema, arquitectura ou música são assuntos sobre os quais podemos ler neste And this is reality, sempre com bom gosto e um certo espírito vanguardista.

Paragem obrigatória (e link na coluna do lado!)

Conselho Nacional do CDS marcado para dia 31 de Março


Balenciaga, Fall/Winter 2007

terça-feira, março 20, 2007

As últimas 784 páginas



O último Harry Potter - Harry Potter and The Deathly Hallows - terá 784 páginas (na versão inglesa) e será publicado em Julho. Até lá vamos ter que aguentar a curiosidade com o destino de Harry Potter e dos seus amigos.

Assalto ao poder?

António Lobo Xavier

Para alguma coisa tinha que servir o curso de Direito...

Durante os dias de ontem e de hoje recebi vários telefonemas e contactos de militantes, e de pessoas que nada têm que ver com o CDS, a pedirem-me uma explicação sobre o que se está a passar. Explicação essa, entenda-se, jurídica e política.

Deixando de parte as histórias menos bonitas de agressões e insultos (que as cassetes de vídeo podem esclarecer e os tribunais julgar) e não me pretendendo sobrepor ao parecer da Jurisdição, que estamos a aguardar, gostaria de esclarecer algumas coisas que me parecem pertinentes (uma espécie de FAQ's do CDS):

1.º O requerimento com mil assinaturas, de que tanto se fala, o que é, realmente?
O requerimento de que se fala consubstancia um direito que os militantes têm de pedir a marcação de um Congresso (artigo 39.º dos Estatutos). Esse requerimento não pode ser rejeitado pelo Conselho Nacional mas por si só não convoca o Congresso. Essa convocação e a aprovação do respectivo regulamento é feita em Conselho Nacional convocado para esse fim (Artigo 43.º, n.º 1 b) dos Estatutos).

2.º O requerimento poderia ser discutido em Óbidos?
O requerimento para convocação de Congresso não poderia ter sido discutido em Óbidos. O requerimento que, segundo creio, foi recebido pela senhora Presidente do CN na sexta feira, dia 16, obriga-a a convocar, de imediato, um Conselho Nacional com ponto de ordem de trabalhos a marcação de um Congresso, CN no qual o requerimento nem sequer é discutido, mas meramente executado. De todo o modo, uma coisa é certa, o Requerimento não pode ser acrescentado à Ordem de Trabalhos já definida de um Conselho Nacional Extraordinário já (anteriormente) convocado, para fins diferentes daqueles a que o requerimento se destina

3.º Mas a marcação de congresso não estava já prevista na Ordem de Trabalhos do CN de Óbidos?
Estava, mas a pedido da Comissão Política Nacional. No mais estrito formalismo, estaríamos perante o pedido de convocação de dois Congressos. Um pela CPN outro por 1000 militantes. Contudo, a diferença é que a proposta da CPN pode ser rejeitada pelo voto da maioria dos Conselheiros.

4.º O que aconteceu à proposta da CPN de convocação de um Congresso?
A proposta da CPN foi chumbada pela maioria dos Conselheiros Nacionais.

5.º O que foi, afinal, posto a votação no Conselho Nacional?
Foram postas a votação 2 propostas: a primeira pedia a convocação imediata de um Congresso, sendo que foi rejeitada. A segunda colocava três hipóteses (i) convocação imediata de eleições directas; (ii) convocação de congresso estatutário seguido de eleições directas; (iii) convocação de congresso electivo. A opção (i) ganhou com 65% por votos.

6.º Mas a eleição directa do líder é legal?
Segundo o parecer unânime do Conselho Nacional de Jurisdição, o órgão de controlo a que compete julgar (artigo 57.º dos Estatutos), é perfeitamente legal o Conselho Nacional votar a convocação de eleições directas. «O Conselho de Jurisdição do CDS-PP decidiu que o Conselho Nacional do partido pode aprovar a realização de eleições directas imediatas, quer integrando-as nos estatutos quer através de uma norma transitória.».

7.º Qual a maioria necessária para aprovar as directas?
Os Estatutos e regulamentos são, quanto a isso, omissos.

8.º Na omissão de uma regra sobre a maioria necessária, o que se aplica?
Quando a lei é omissa no tipo de maioria exigida, em princípio, aplicar-se-á a regra de que a maioria simples é suficiente. Mais, existe o precedente de umas eleições directas já terem sido anteriormente aprovadas pelo Conselho Nacional (no CN de Gaia, em Maio de 2005) por maioria simples.

9.º As directas ganharam, e agora?
A forma de eleição directa do Presidente do Partido ganhou, efectivamente, a votação em Conselho Nacional, de forma perfeitamente legal. Assim sendo, o Conselho Nacional teria que aprovar o regulamento para essa mesma eleição. Não o tendo feito não deu cumprimento à decisão do Conselho Nacional.

10.º O que acontece, então, ao requerimento das 1000 assinaturas a pedir Congresso?
O requerimento será objecto de análise e executado num outro Conselho Nacional, expressamente convocado para esse efeito. Assim sendo, e tendo em Óbidos vencido a solução das directas, o requerimento em nada seria prejudicado, uma vez que é possível conciliar o Congresso com as directas aprovadas pelo Conselho Nacional. O Presidente será eleito por via directa e de seguida teremos o Congresso para dicutir e aprovar Moções de Estratégia e a composição dos órgãos. Esta seria a cronologia correcta que em nada viola os Estatutos e em nada fere o pedido dos militantes.

11.º Os militantes quando pedem a convocação de um Congresso podem estabelecer o tipo de congresso, a data ou a sua ordem de trabalhos?
Não. A competência para aprovação do Regulamento é exclusiva do Conselho Nacional.

12º No meio de tudo isto, para que servem as 2000 assinaturas recolhidas a favor das directas?
Ao contrário do que se passa com a convocação de um Congresso, não é, neste momento, dado aos militantes o direito estatutário de requerer a convocação de eleições directas. Porém, estas 2000 assinaturas têm o valor político de fazer saber que a grande maioria das estruturas (Distritais e Concelhias) está a favor da proposta feita pelo Dr. Paulo Portas.

13.ª As decisões da Presidente da Mesa do Conselho Nacionais são recorríveis?
Compete especialmente ao Presidente em exercício: admitir ou rejeitar propostas, reclamações e requerimentos, sem prejuízo do direito de recurso dos seus autores ou subscritores para o Plenário do Conselho Nacional (Artigo 8.º d) do Regimento do Conselho Nacional); das deliberações da mesa cabe recurso para o Plenário do Conselho Nacional (Artigo 12.º número 2 do Regimento do Conselho Nacional), e ainda, das decisões do presidente e das deliberações da Mesa, quando umas e outras forem tomadas no uso de poderes discricionários cabe recurso para o plenário do Conselho Nacional (Artigo 64.º, número 1 do Regimento do Conselho Nacional).

14.ª As propostas têm, efectivamente, que ser apresentadas com 5 dias de antecedência?
Segundo o Regimento do Conselho Nacional estamos perante duas possibilidades: (i) apresentação de propostas já previamente reduzidas a escrito com 5 dias de antecedência; (ii) apresentação de propostas no decorrer do debate dos pontos da ordem de trabalhos. De todo o modo, sendo o Conselho Nacional de Óbidos um Conselho Extraordinário, convocado com urgência, a própria convocatória não terá chegado com 5 dias de antecedência, obstando, desde logo, o cumprimento da regra do artigo 21.º do Regimento. Acresce que, também neste ponto, há vários precedentes que comprovam que é possível a apresentação de propostas no decorrer do Conselho Nacional. Assim sendo a decisão correcta seria a de aceitar a discussão da proposta subscrita pelo Conselheiro Paulo Portas e outros.

15.ª Houve um assalto ao poder?
Não. Houve a discussão e votação de duas propostas legítimas e legais (uma da Direcção e outra do Dr. Paulo Portas) e uma vitória, legal e expressiva desta última. A proposta de Paulo Portas venceu. Não há qualquer outra interpretação possível que não ponha em causa, de forma irremediável, a verdade dos factos.

16.ª O que fazer agora?
Foi pedida a intervenção do órgão próprio (Conselho Nacional de Jurisdição) para decidir qual a interpretação que deve prevalecer, de acordo com a legalidade estatutária: (i) se a decisão de que o Requerimento prevalece e como tal inviabiliza a decisão do CN; (ii) se a decisão do CN prevalece (como nos parece) e como tal o Requerimento com ela deverá ser conciliado.

17.ª Politicamente, que leitura podemos fazer de tudo isto?
Fora de todas as questões jurídicas, que julgo terem sido explicadas nos 16 pontos supra enunciados, a questão política que está no centro deste debate é sabermos que rumo o CDS quer tomar. Neste momento há duas vias (i) manter a actual liderança, que está no cumprimento do seu mandato, mas que claramente fracassou ou (ii) estar ao lado do Dr. Paulo Portas, que se assumiu como o rosto da alternativa. E politicamente parece-me que, neste momento, já não restam dúvidas de qual o rumo que a grande maioria dos militantes pretendem seguir. Temos um abaixo assinado a apoiar as directas que foi subscrito por 73% das estruturas locais, temos uma vitória expressiva em Conselho Nacional, temos perto de 2000 militantes que participaram em jantares com Paulo Portas, manifestando-lhe o seu apoio, temos um partido que anseia pela mudança e que quer Portas de volta. Este é o sentimento, esta é a realidade do CDS. A direcção ao não ver (ou ao não querer ver) está a cometer um erro clamoroso que só arrasta o CDS para uma situação de guerra civil, na qual o poder instalado se recusa a sair, apesar da evidência de que a sua guerra contra a mudança está perdida.

Juridicamente, parece-me que a razão está do nosso lado, politicamente tenho a certeza que Paulo Portas é a solução preferida por 4/5 do CDS . A Ribeiro e Castro convém recordar que, num partido democrático, contra a vontade livre dos militantes, não há argumentos.

Porque além de actor ele também se interessa por política



George, para continuares a discutir comigo os eventos de domingo, leva os estatutos do CDS (traduzidos) para ler em casa...

Disposto a tudo...

Goste-se ou não de Paulo Portas, é impossível não lhe reconhecer enormes qualidades. De entre as várias, habituamo-nos a vê-lo como um profundo conhecedor do seu partido e de hábil leitor da conjuntura política.
É por isto que não deixa de ser surpreendente que aparentemente tenha cometido um erro que, penso, lhe sairá muito caro.
Para um espectador, como eu, da situação actual do CDS não me parece que existam dúvidas que, inexoravelmente, Paulo Portas será o próximo líder do partido. Mais, não julgo sequer que Ribeiro e Castro ou Maria José Nogueira Pinto tenham ilusões acerca disto.
Confesso que não entendi qual a razão de tamanho finca-pé de Portas acerca das directas. Será que Portas - um tradicional opositor desta solução – pensaria que em Congresso não ganharia o partido? Não me parece.
Será que, com as directas, pensaria que iria ter mais exposição mediática? Talvez (agora vai tê-la, mas não a que, com certeza, queria).
É um erro tradicional das pessoas com grandes egos desprezarem os sinais de perigo. E eles estavam lá e bem evidentes: Ribeiro e Castro mostrou que estava lá para a luta e Portas não ligou. Claro está que se pode dizer que ninguém esperava uma, aparente, “chapelada” ou uma clara ajuda de alguns jornalistas e outros, na construção do papel de vítima de Ribeiro e Castro. Mas, repito, Ribeiro e Castro desde o princípio deste processo demonstrou que estava disposto a tudo.
O que me parece evidente é que o CDS precisava de uma transição suave e com o menor alarido possível. O que aconteceu ontem ridicularizou o partido e redobrou o trabalho que Portas vai ter para se constituir como alternativa plausível.
Desta situação só vão surgir perdedores, ninguém vai sair vitorioso desta trapalhada e, curiosamente, seria tão simples evitá-la...
Seja através de directas ou congresso, Portas vai ser o próximo presidente do CDS, mas, e a partir de ontem, tem muito mais trabalho pela frente do que esperava.

Pedro Marques Lopes, in 31 da Armada

segunda-feira, março 19, 2007

Sobre o Conselho Nacional do CDS

Demorei quase 24 horas a escrever sobre o Conselho Nacional do CDS, que decorreu ontem. Devo confessar que tal incapacidade de escrever não é me é habitual e só revela que, de facto, o que aconteceu ontem foi grave, muito grave.

Desde ontem que tenho experimentado vários sentimentos contraditórios, mas de todos eles aquele que mais tem estado presente é a tristeza.

Tristeza pelas atitudes tomadas por pessoas com responsabilidade dentro do CDS, nomeadamente a Senhora Presidente do Conselho Nacional e o Senhor Presidente da Comissão Política Nacional, que fragilizam, e muito, o CDS e lançam a confusão na opinião pública.

Tristeza pela forma apressada como foi encerrado o Conselho Nacional, recusando a mesa a dar a palavra, para uma interpelação, a um ex-Presidente do Partido, proponente da proposta que tinha vencido uma votação e a que dessa vitória fossem, então, retiradas as necessárias consequências, jurídicas e políticas.

Tristeza por se fazer tábua rasa do meu voto e do voto de 65% das senhoras e senhores conselheiros nacionais.

Tristeza por ver a Direcção do meu partido rumar ao abismo com toda a força e empenho, como se o simples facto de se manter no poder fosse o seu desígnio messiânico, fechando os olhos ao sentimento do partido e enterrando a cabeça na areia.

Tristeza com a forma como foi, abruptamente, terminado o Conselho Nacional, entre gritos e debandada da Direcção. O CDS, parece-me a mim, merece mais respeito!

Porém, a tristeza não chega para definir o que sentia ao sair, ontem, do Hotel Marriot...

Havia, também, desilusão, por ver que o Conselho Nacional do meu partido vota, de forma expressiva, a pedir a realização imediata de eleições directas e esta votação é desconsiderada. (Como institucionalista, considero que uma vitória limpa no CN é plenamente legítima e não configura qualquer assalto ao poder).

Havia, também, confusão por ter passado 12 horas a discutir problemas jurídicos, criados a todo o momento, para evitar que a discussão política pudesse ser feita de forma livre, democrática e aberta.

Havia, também, irritação com todos aqueles que desrespeitaram normas, inventaram entraves, usaram expedientes e manigâncias de toda a espécie para impedir que o Conselho Nacional pudesse decidir, em consciência que caminho queria seguir.

Havia, também, perplexidade com as declarações que faziam (e continuam a fazer) pessoas com responsabilidade, pessoas que são valores do partido e pessoas que considero (apesar de delas discordar), acusando deputados de agressões físicas, militantes de coacção verbal e conselheiros de mentira.

Havia, porém, certeza de que o caminho que sigo é o caminho certo. Ontem, se dúvidas eu tivesse, perceberia que há, no CDS, um homem, um militante, uma pessoa que já nos deu muitíssimo, que entende que a grave situação que o nosso partido vive só poderá ser ultrapassada com uma mudança de rumo. Esse homem, esse grande ex-Presidente do CDS, deu a cara e foi à luta. De forma clara, frontal e usando, estritamente, os meios legais. Do outro lado, está outro homem, um militante, uma pessoa que, à sua maneira, conduz o partido há 2 anos e, certamente, dá o seu melhor, mas que neste momento não lê os sinais, não percebe a evidência, enterra a cabeça na areia e diz: eu fico, quando não tem condições de ficar! Para ficar, agarra-se, então, a tudo, numa tentativa desesperada de evitar o fim de um ciclo, que só ele parece não ver que já acabou.

Havia, por fim, a convicção de que, passados estes dias menos bonitos, a legalidade seja reposta, a vontade dos Conselheiros Nacionais e da maioria dos militantes seja cumprida, e de que, finalmente, o CDS possa seguir o seu caminho, com uma nova direcção, um novo projecto e um novo ânimo.

sexta-feira, março 16, 2007

Cultura à sexta

«Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
Dai-me gargalhadas em plena cara,
Ó automóveis apinhados de pândegos e de...,
Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,
Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!
Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!
Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,
As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,
Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto
E os gestos que faz quando ninguém pode ver!
Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,
Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome
Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos
Em crispações absurdas em pleno meio das turbas
Nas ruas cheias de encontrões!
»


Excerto, "Ode Triunfal", Londres, Junho de 1914


Álvaro de Campos (1890 - 1935) é um dos heterónimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, a par com Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares e aquele que teve uma vida poética mais intensa e mais rica.

Sobre ele escreveu Pessoa: «Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inactividade

Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo. Entre todos os heterónimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo de sua obra.

Primeiro conheceu a fase decadentista (influenciado pelo simbolismo), mas logo adere ao futurismo. Nesta o poeta exprime, através da sua poesia, a inebriante experiência das sensações, com uma linguagem eufórica onde abundam as onomatopeias. É o elogio ao progresso e à modernidade e a confiança absoluta na técnica. São desta fase uma série de poemas de exaltação do Mundo moderno, do progresso técnico e científico, da evolução e industrialização da Humanidade, como sejam a Ode Triunfal e a Ode Marítima.

Entra então o poeta, nos últimos anos, numa fase profundamente intimista que é conhecida como fase abúlica, e que se assemelha muito, sobretudo nas temáticas abordadas, à obra do próprio Pessoa ortónimo e à obra de Mário de Sá Carneiro: é a desilusão com a vida, a saudade da infância, o desprezo pelas coisas do mundo e a constante náusea de viver expressa nos versos «o que há em mim é sobretudo cansaço».