quarta-feira, dezembro 19, 2018

a Fran

Faz hoje 5 anos, mais minuto menos minuto, nascia uma Francisca e nasciam um pai e uma mãe. Todos igualmente frágeis, às cegas e sem capacidade de fazer nada sozinhos. Em conjunto fomos crescendo e aprendendo, com erros e tropeções, gargalhas e gritos. Os primeiros filhos são o teste e a cobaia. Ninguém sabe ao que vai mas com uma Fran é difícil correr mal. 
Ela é querida, doce, obstinada e a verdadeira publicidade enganosa dos bébés (caso contrário não teria havido tão cedo o António!) Uma verdadeira actriz, sempre exagerada, teatral e “super menina”, a pedir purpurinas, glitter e rosa pink, ou não fosse ela filha da sua mãe! Parabéns à Fran e a nós que não estamos a fazer um mau trabalho (até ver!) e que a tua vida vida seja sempre muito rosa e cheia de brilho!!!! 🎀💗🎈🛍🎉

quinta-feira, dezembro 13, 2018

Populismos e extremismos

E foi aqui que chegámos na Bélgica: uma proposta (de um partido centrista insuspeito - MR) para voltar a chamar às férias do Natal “férias do Natal” e férias da Páscoa às ”férias da Páscoa”, para manter a Cruz no chapéu do Saint Nicholas e para voltar a chamar aos mercados de Natal, “Mercados de Natal” é apelidada de “Populista”. Os que a rejeitam, o PS e, pasme-se um partido de inspiração democrata-cristã (!) CDH, depois irão admirar-se no dia em que as pessoas normais se fartem e os mandem literalmente à “merde” que é o que eles merecem, sem metáforas e sem contemplações! E já agora, por alturas da Páscoa de 2019, com Coelho, Ovo e Crucifixo!

quarta-feira, dezembro 12, 2018

fake news fofinhas

A história repete-se até à náusea: "ataque" (metáfora para: atentado) "cometido por indivíduo já conhecido das autoridades" (metáfora para: gajo que já devia estar preso) ainda "não se confirmam motivações terroristas" (metáfora para: foi um atentado terrorista com motivação islâmica mas temos pejo de dizer). Não será este branqueamento da realidade e adocicar da linguagem uma forma de "fake news" e de manipulação de massas?
Até quando se vai permitir (1) atentados à vida de inocentes nas cidades Europeias cometidos por indivíduos sinalizados como perigosos e (2) este branqueamento desavergonhado da realidade e esta linguagem dúbia dos media?

terça-feira, dezembro 11, 2018

La decadence

Nos últimos anos, por vários motivos, temos estado várias vezes em França: quer seja porque atravessamos o país no caminho para Portugal quer seja porque é aqui perto e dá sempre para uma escapadinha. E o que nos tem surpreendido, de cada vez, é a decadência Francesa. Talvez quem vá apenas a Paris não note. Mas quem chega a Paris de carro, quem anda pela “campagne” e pelas cidades secundárias (não falo sequer dos
Banlieue mas das cidadezitas e vilarejos) fica com uma sensação de que ali vive o passado. Um passado de glória e de riqueza, mas que ficou lá atrás. Não há sombra de prosperidade nas pequenas cidades com os seus prédios abandonados e parco comércio (e basta ver o preço a que se vendem propriedades fabulosas para perceber a pouca procura que existe).
A zona de Champagne, um dos últimos exemplos que tivemos, que deveria ser sinónimo de luxo, é hoje apenas decadente, como se faltasse não apenas dinheiro, mas vida. Épernay é a mistura da opulência da Avenue de Champagne com o centro de Odemira, ganhando este último em animação! (Ninguém acredita que não haja uns quantos bares giros e com pinta para degustação de Champagne naquela que é a sua capital!)
Se atravessar França é penoso, chegar a Espanha é respirar de alívio. Parece que os anos da crise já ficaram para trás e Espanha renasceu. Chegar a Burgos é magnífico. Uma cidade borbulhante, próspera, bonita e bem cuidada, cheia de vida e de verde. De prédios recuperados e restaurantes cheios. (Parece a Lisboa de 2018).
Visitar esta França é um murro no estômago porque demonstra bem como é possível um país ir desaparecendo, devagarinho, nas páginas da história, ficando apenas com as ruínas do que foi. E, mesmo para quem, como eu, não é particular admiradora de França ou dos franceses, ver o declínio dá muita pena.
E é esta a França dos coletes amarelos. É esta a França que é terreno fértil para Marine le Pen e Mélenchon. É a França das pessoas que estão mais pobres, da gente que se sente abandonada pelo Eliseu, porque não vive em Paris, com as suas montras cintilantes e beautiful people. São as pessoas que sentem, no seu quotidiano, o empobrecimento, o envelhecimento e a decadência. Não sei se França é “recuperável”. Não sei se há caminho de volta para a realidade do abandono. Mas sei, certamente, que não é com mais 100 euros mensais que se reconstrói um país e que Macron não é certamente “o Restaurador”.

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Modernidade

Não só as mulheres ficam sem carteiras em pele como qualquer dia também ficam sem homens, porque isso da masculinidade é coisa tóxica, tipo diesel, e homens com masculinidade acima de x são proibidos de circular nas cidades. Enquanto a coisa for legal, sempre temos o álcool para nos ajudar a esquecer a falta do resto... e podemos sempre ingressar num convento, assim como assim não há homens e também não é preciso levar mala porque os bens materiais ficam à porta!

sábado, dezembro 01, 2018

Gilet Jaunes

Muito bom este texto de Sérgio Sousa Pinto. E não é só Macron rodeado da sua “beautiful people” mas a Europa e os seus dirigentes que olham também para o povo com a curiosidade de um cientista que observa ratinhos. Não percebem porque os italianos, deixados sozinhos durante anos a lidar com a crise migratória, estão cansados de imigrantes e se viram para os “Salvinis”. Não percebem porque holandeses, finlandeses ou alemães não querem ouvir falar de solidariedade com os “despesistas” do Sul e vão dando cada vez mais o seu voto a partidos eurocépticos. Não percebem porque o sul endividado não aguenta mais políticas de austeridade e se vira para a extrema esquerda. E claro, agora não percebem porque os Franceses estão a sair à rua aos milhares para dizer basta à “transição energética” que nos vai deixando mais pobres e a pagar energia cada vez mais cara. Não percebem nada e culpam a extrema direita, o Steve Bannon e os extremistas por aquilo que não querem perceber. Conta a história, sem verdade, é um facto, que há uns bons anos uma rainha francesa terá mandado o povo, que não tinha dinheiro para comprar pão, comer brioches. Por isso se fez uma revolução. Não estamos hoje muito longe dos brioches de Maria Antonieta!

segunda-feira, outubro 29, 2018

Bolsonaro

Não sou brasileira e pouco sei da política por lá. Haverá coisas em Bolsonaro que não gosto, sobretudo o estilo truculento numa campanha polarizada, mas o que é dito no seu discurso de vitória é a cartilha de qualquer governo conservador-liberal. Esperemos que seja este, de facto, o futuro do Brasil. Vale a pena ouvir e pensar o que ele diz nesse primeiro discurso que é extremo ou inaceitável para alguém da direita liberal. Fica uma amostra: “Como defensor da liberdade, vou guiar um governo que defenda, proteja os direitos do cidadão que cumpre seus deveres e respeita as leis. Elas são para todos, assim será o nosso governo constitucional e democrático: acredito na capacidade do povo brasileiro que trabalha de forma honesta, de que podemos juntos, governo e sociedade, construir um futuro melhor. Esse futuro de que falo e acredito passa por um governo que crie condições para que todos cresçam. Isso significa que o governo dará um passo atrás, reduzindo sua estrutura e a burocracia, cortando desperdícios e privilégios para que as pessoas possam dar muitos passos à frente. Nosso governo vai quebrar paradigmas, vamos confiar nas pessoas, vamos desburocratizar, simplificar e permitir que o cidadão, o empreendedor, tenha menos dificuldades para criar e construir o seu futuro. Vamos desamarrar o Brasil. Outro paradigma que vamos quebrar: o governo respeitará de verdade a federação. As pessoas vivem nos municípios, portanto os recursos irão para os estados e municípios. Colocaremos de pé a federação brasileira. Nesse sentido, repetimos que precisamos de mais Brasil e menos Brasília.”

sábado, outubro 27, 2018

Excessos

Há o bom senso e depois há os excessos. Porque razão uma mulher recém casada não pode ser modelo? Ou um homosexual ser vigilante de um internato? Não há nenhuma razão objectiva. Já se falarmos de condenados por pedofilia como vigilantes de crianças, terei que concordar com uma impossibilidade de exercer tal função. Qualquer restrição à liberdade de exercício de uma profissão terá que ser baseada em motivos objectivos e não em “suposições” e pretender defender um valor com igual proteção jurídica (por exemplo a segurança e a integridade física de crianças). Em nenhum dos dois exemplos polémicos do Professor Menezes Cordeiro me parece que tal esteja em causa.

quarta-feira, outubro 24, 2018

#Fascismo

aqui uma tendência e decidiu apresentar à Universidade de Bath Spa uma proposta de investigação sobre o tema da reversão da mudança de sexo no âmbito do seu MA. A mesma foi recusada pelo conselho de ética porque “engaging in a potentially politically incorrect piece of research carries a risk to the university. Attacks on social media may not be confined to the researcher, but may involve the university.”
Ou seja, uma investigação sobre o aumento de casos de pessoas transgénero que pretendem reverter os seus processos de alteração de sexo é impedida por ser “politicamente incorrecta”.
Isto já não é apenas fascismo ideológico no meio académico. Isto é manipulação e entrave à investigação, o que não é politicamente nem eticamente aceitável.
O “politicamente correcto” não justifica tudo e sobretudo não justifica a censura académica de investigação que poderia ser válida.
THEGUARDIAN.COM
James Caspian says Bath Spa University approved but then rejected his proposed research into gender reassignment reversal

terça-feira, outubro 23, 2018

sobre a vida

Hoje, no Parlamento Belga, discute-se uma proposta que pretende reconhecer civilmente crianças que não chegaram a nascer ou nascidas sem vida, através de um acto de registo civil, o qual irá conferir certos direitos às famílias. À partida, isto é algo de senso comum e que não traria nenhum tipo de polémica. (Países há em que a perda gestacional para lá de um certo tempo de gestação dá direito ao "gozo" da licença de maternidade, por exemplo.) Porém, no mundo em que vivemos, isto é contestado por organizações "laicas" que consideram que há um perigo destas medidas levarem à confusão de fetos com crianças e com isso vir a colocar dificuldades à interrupção voluntária da gravidez.
Sem entrar em qualquer tipo de discussão sobre a IVG aqui, que não é o que interessa neste contexto, parece-me que os direitos das mulheres que querem abortar não se podem sobrepor aos diretos das mães (e pais) que perderam um filho durante a gestação. Porque para essas mães e pais, a perda é sempre do filho que idealizaram, por mais que no momento seja um amontoado de células sem nexo, um embrião, ou um feto. E isso merece protecção e reconhecimento. Nesse sentido, está bem o legislador Belga com a proposta que faz, como está bem em permitir que tal acto de registo seja facultativo.

quinta-feira, outubro 18, 2018

Desigualdade

Lamento muito mas isto não é igualdade. Um transexual (no caso alguém que nasceu homem e se tornou mulher) competir, desportivamente, ao lado de mulheres não é admissível. Porque, por mais que nos queiram fazer crer, homens e mulheres são biológica e fisiologicamente diferentes: os homens correm mais; têm mais força; têm mais velocidade; têm mais resistência.
E é, precisamente por isso, que homens e mulheres não competem lado a lado no atletismo, no futebol, na natação ou na ginástica, porque se assim fosse, as mulheres estariam sempre em desvantagem. Essa condição desigual (competirem em categorias diferentes) permite uma igualdade de facto: o ouro de Rosa Mota (com 2:25:39) vale tanto como o de Carlos Lopes (com 2:09.21), porque não competiram conjuntamente (basta ver os medalhados das provas de maratona feminina e masculina para perceber que, comparando tempos, se homens e mulheres competissem na mesma prova, não haveria nenhuma mulher medalha de ouro!)
Seguindo o bom senso que levou a que fossem criadas categorias femininas e masculinas no desporto, obviamente um transsexual que era homem e passou a ser mulher, desportivamente não pode competir com mulheres nascidas mulheres, porque isso é criar uma vantagem de partida, o que é inaceitável.
Dizer isto não é discriminação contra transsexuais. Não é transfobia nem outra qualquer fobia. Permitir que isto aconteça é que é, de facto, discriminação contra as mulheres! Uma violência contra mulheres. Mas sobre isto, às modernas feministas não ouço uma palavra!

quarta-feira, outubro 10, 2018

3 anos do António

 disposto a ultrapassar uma barreira ou a testar um limite. Ele é assim, e essa sua forma de ser, faz com que a sua propensão para o disparate seja perto de 100%, mas também lhe dá a possibilidade de momentos de verdadeiro génio. Quem nos conhece, sabe que me zango bastante com este meu filho, chatinho e birrento, mas poucas pessoas me enternecem tanto como ele quando vem, de mansinho, encostar a cabeça e pedir, à sua maneira, um carinho. Porque poucos miúdos são tão genuinamente doces sem serem delicados. Poucos miúdos conseguem ser tão independentes mas tão ternurentos. O António é um menino de bom coração, mau feitio e muita propensão para fazer disparates daqueles que arreliam os pais, porque arrasam a rotina, atrasam os dias e sujam a roupa. Mas ele só tem 3 anos e é feliz. E isso é o que importa.

domingo, setembro 23, 2018

#metoo

Enquanto em Portugal juizes confundem violação com sedução mútua, nos Estados Unidos, a propósito da nomeação de um juiz, há quem confunda tentativa de engate com violação. Nenhuma das abordagens faz nada pelo respeito às mulheres, antes pelo contrário. Porque no meio estará a virtude e confundir tentativas de engate com violações só servirá para banalizar os casos de abuso e “normalizar” o comportamento dos verdadeiros predadores. Não é tudo a mesma coisa e era bom que se começasse a chamar os bois pelos nomes, porque entre a histeria do #Metoo e os achismos de certos juizes, lá vai o bebé (menina, por sinal) com a água do banho.

sábado, agosto 18, 2018

da estupidez

Uma pessoa normal só se pode rir com o contra senso dos “activistas”. De certeza que estas criatura que chamam ao leite de vaca “secreções mamarias cheias de hormonas, pus e sangue” são as mesmas que colocam no altar o “leite materno” e defendem criancinhas a mamar até à entrada na puberdade. E também devem ser as mesmas que havendo algo que corre mal com a amamentação preferem dar leite de arroz e de amêndoa a bebés, como aqueles pais belgas (que agora estão, e bem, na prisão!) que mataram um bebé à fome porque só o alimentavam com bebidas vegetais! Enfim, a estupidez humana não tem limite. Resta-nos rir com as secreções mamarias, que sendo de vaca são más, mas sendo humanas são boas. Não haverá aqui discriminação?!?!

sábado, agosto 04, 2018

Fogo

Já tinha sido evacuada em Londres, Bruxelas e Paris por ameaça de bomba. Hoje fomos evacuados de casa por estar numa possível rota de expansão do incêndio de Monchique. É sempre estranho isto de ser posto perante um potencial perigo sobre o qual nenhum controlo temos. Uma nota para a actuação exemplar da GNR, que nos foi literalmente avisar a casa, com calma mas muita firmeza na mensagem de que era para sair naquele momento. E uma outra para os 750 Homens que combatem o incêndio e defendem as nossas coisas e as nossas vidas. Isso sim é serviço publico. Daqueles que nunca poderemos pagar.

segunda-feira, julho 23, 2018

gender neutral stupidity

Que dizer disto que mistura tudo para nos convencer da bondade das gender neutral policies? Obviamente que tratar raparigas como atrasadas que não sabem contar é idiota. Tão idiota como não lhes dar educação (o que infelizmente ainda hoje acontece a miúde por esse mundo fora). Mas dar educação e tratar rapazes e raparigas como seres intelectualmente iguais, não implica que tratar uma miúda por princesa ou enche-la de cor de rosa seja estar a impedi-la de vir a ser uma engenheira civil ou uma neurocientista. A matemática que eu saiba pode ser praticada a contar vestidos e sapatos (eu pratico mto isso) não tem que ser a contar monstros horrendos! Posto isso, os nossos filhos tem legos e tem puzzles e brincam juntos. Tem livros, muitos que trocam entre si. Ele às vezes dá “comida” aos “bebés” e ela (raramente) agarra num carro. Mas a verdade é que o filme preferido dela continua a ser a Cinderella e o dele os Carros. E aquele que os faz chegar a acordo é sempre os Incredibles. Porque apesar dos seus géneros bem definidos, são ambos uns miúdos incríveis que não acreditam que o sexo determine o seu futuro: porque ela pode ser uma astronauta num foguetão cor de rosa e ele pode ser um bailarino que nas horas vagas gosta é de acelerar na sua frota de carros! 👍
VOGUE.COM
Many parents are starting to embrace a gender-neutral way of parenting. But what exactly does that mean?

segunda-feira, junho 18, 2018

Kardashian in Chief

Maybe one day in the future people will think Trump was totally fit for the job! I can see already tweets replaced by instastories and controversial messages replaced by nude pictures. The future can be sooo scary!
CNN.COM
Kim Kardashian talks to CNN's Van Jones about her passion for law and why she hasn't shut down the idea of running in politics.

quinta-feira, junho 07, 2018

SATC - 20 anos

Nos 20 anos da estreia do Sex and the City (SATC) descobre-se que a série apesar de seguir a vida de 4 mulheres supostamente independentes e modernas é anti-feminista e anti movimento #metoo. Afinal aquelas senhoras eram umas galdérias que só pensavam em sapatos e roupas e que apesar do tal "sexo na cidade" o que elas queriam mesmo era um príncipe encantado (chamaram-lhe Mr. Big). Adoro quando a "modernidade" se junta ao "moralismo" e formam um perfeito coro a só uma voz. Haja paciência!

quinta-feira, março 23, 2017

Não temos medo, o caraças!


De cada vez que há um atentado na Europa, lá vem a narrativa de que não temos medo. Que o terror não vencerá porque nós não temos medo.

Pois, eu cá tenho a dizer que tenho medo. E que o normal é termos medo. Aliás, é esse medo que nos distingue “deles”. “Eles”, os que nos matam nas nossas cidades, é que não têm medo de morrer. Não têm medo de nada, porque não têm nada a perder e ainda ganham um paraíso cheio de virgens. Pois eu tenho medo de morrer trucidada por um destes senhores. Eu tenho medo que os meus filhos sejam apanhados no caminho deles. Ou que a minha família e amigos estejam, um dia, no sítio errado à hora errada. 

É normal termos medo, porque nós, a nossa civilização ocidental da qual nos orgulhamos, ama a liberdade, mas ama também a VIDA.

Temos medo dos terroristas e dos seus actos horrendos, tal como temos medo de ter um cancro, ou de que o nosso avião caia. De forma egocêntrica e hipócrita, não pensamos nisso todos os dias. Pomos lá no fundo da nossa consciência e embalamo-nos pela ideia de que não acontecerá connosco. Mas temos medo, obviamente. Porque ter medo, é Humano. E é um bom sinal, porque significa consciência. O meu filho de 1 ano e meio, não tem medo de nada. Por isso se atira de cabeça do sofá ou corre para as escadas quando, num esquecimento, deixamos a cancela aberta. Não há réstia de coragem neste seu comportamento. Há apenas desconhecimento e inconsciência própria da idade. Com o passar do tempo, ganhará medos. E, com isso, aprenderá a proteger-se dos perigos. 

Por isso, esta narrativa do medo é falsa e é perigosa. Falsa porque é óbvio que todos temos medo. Perigosa, porque negá-lo é pormo-nos ao nível de uma criança de 1 ano e meio que se atira de cabeça no chão. Nós temos medos, mas temos também a capacidade de racionalizar o medo e não nos deixarmos dominar por ele. Temos a capacidade de não fecharmos as nossas cidades num lock down forçado porque um tarado resolveu, mais uma vez, matar. Mas temos medo, e por isso, tomamos certas precauções. Isso não é “deixar os terroristas ganhar”, isto é perceber que às vezes é preciso ter “cancelas” nas escadas. 

 Afinal, quem é que não tem medo de morrer? Só os loucos ou os suicidas. Eu não sou nem uma coisa, nem outra. Por isso eu tenho medo.

terça-feira, abril 15, 2014

Sobre a Presunção de Inocência


Não me lembro de ter ouvido nenhum juiz do Tribunal Constitucional ou qualquer grande defensor das liberdades e direitos individuais referirem o constante atropelo do princípio constitucional da presunção de inocência no que se refere aos cocós. 

Quantos bebés injustamente acusados "aii, que já fizeste um cocó" serão precisos para que se faça justiça???

sexta-feira, março 14, 2014

O Manifesto dos 70

O Manifesto dos 70 é grave e seria de esperar que algumas das personalidades que o assinaram tivessem mais bom senso. 

Em primeiro lugar, falar de reestruturação da dívida, como os promotores fazem, mais não é do que assumir que as dívidas não são para pagar. No fundo, fazem eco daquilo que Sócrates disse há uns meses, de que as dívidas são para ser geridas e nunca pagas. Fizessem os cidadão o mesmo que estes senhores propõem que o Estado faça, e os tribunais ficariam entupidos com processos de execução e penhoras de bens. Porque, no que toca aos privados, as dívidas são mesmo para pagar, até ao último cêntimo, haja ou não dinheiro. Que o digam as famílias com a corda na garganta por causa dos seus empréstimos bancários! 

Assim, e simplificando, o que estes senhores propõem é um gigantesco calote. Uma fuga às obrigações assumidas, sem apelo nem agravo, esperando que alguém, por nós, venha assumir as culpas e pagar a factura. Porém, esse “alguém” são sempre os contribuintes e a factura será sempre paga sob a forma de amarga “austeridade”. 

Podem os mais incautos pensar: “mas e então? Se é possível reestruturar a dívida e não pagar parte dela isso é bom, já que libertaria o Estado do peso do serviço da dívida e permitiria aliviar a malfadada austeridade.” Erro crasso. Por vários motivos dos quais me permito elencar apenas alguns: 

1. Não pagar parte da nossa dívida, mais do que penalizar os nossos credores estrangeiros que acusamos de falta de solidariedade (!) imporia pesadíssimas perdas ao já débil sistema bancário português. Provavelmente, a banca não resistiria e para evitar o risco sistémico da falência de grandes bancos, teríamos vários BPNs a nascer por aí, com os pesados custos que tal teria no Orçamento do Estado e no bolso dos contribuintes, que pagariam mais 3 ou 4 nacionalizações in extremis

2. Põe em causa a credibilidade externa conquistada dos últimos 3 anos pelo actual governo, muito devido ao papel determinante de Vitor Gaspar, primeiro, e Maria Luís Alburquerque e João Moreira Rato depois, que nos permitiu reduzir drasticamente das taxas de juros pagas pelo dinheiro que precisamos de pedir emprestado. E não tenhamos ilusões, enquanto o Estado não diminuir drasticamente o seu caderno de encargos, temos que pedir dinheiro emprestado para pagar as nossas contas, já que os impostos não chegam. Ora, a solução que estes senhores propõem faria com que nenhum investidor internacional (ou nacional, se algum sobrevivesse) voltasse a emprestar dinheiro ao Estado Português. Ou, sendo bem intencionada, que o voltasse a fazer a taxas de juros minimamente pagáveis.

3. Falar de reestruturação cria o pânico nos mercados e cheira a Grécia, que já o fez sem que tal tenha significado alguma melhoria. Antes pelo contrário. Enquanto em Portugal discutimos uma possível “saída limpa” do Programa de Ajustamento, rumores apontam para a necessidade de um terceiro resgate para Grécia. É isso que queremos para o nosso futuro? Sermos olhados com a mesma desconfiança que a Grécia, com as gravíssimas implicações que tal teria no nosso financiamento externo e consequente funcionamento do Estado? (Convém recordar que, em Junho de 2011, sem programa de ajustamento, Portugal não teria dinheiro para pagar salários e pensões).

Mais do que apelar a uma reestruturação da dívida, os promotores do manifesto, muitos deles responsáveis pelos números actuais no nosso endividamento, deveriam preocupar-se em escrever as linhas com que no futuro deve ser escrita a nossa estratégia de financiamento: temos que ter o Estado que podemos pagar e manter a dívida dentro dos limites da sustentabilidade. Não podemos clamar por solidariedade ilimitada quando demonstramos a irresponsabilidade de um caloteiro. Não podemos acenar com crescimento e sustentabilidade quando as soluções que apresentamos são exactamente as mesmas que levaram ao nosso actual “infortúnio”. 

Para terminar, num país a sério, muitos dos senhores do Manifesto estariam era a responder pela dívida que criaram ou que permitiram que se criasse ao invés de estarem confortavelmente sentados nas suas poltronas a incentivar calotes!

quinta-feira, março 06, 2014

Eleições Europeias 2014

Foram ontem conhecidos e aprovados os nomes do CDS que compõem a lista às eleições europeias. Antes de mais, cumpre felicitar e desejar a todos a melhor sorte nas eleições de 25 de Maio. Muito em especial, deixar uma palavra ao Nuno Melo, o número 1 do CDS, que continuará a ser, no Parlamento Europeu, o nosso eficaz ponta de lança, e à Professora Ana Clara Birrento que se estreará em Bruxelas e que, tal como quem a antecedeu, estou certa que imprimirá ao seu mandato a marca CDS de rigor, entrega e competência.

Mas, mais do que falar, hoje, sobre quem irá disputar, com as nossas cores, as eleições de 25 de Maio, uma palavra muito especial a quem não o irá fazer: Diogo Feio. Durante os últimos 4 anos e sete meses, tive o privilégio de trabalhar com Diogo Feio e de chefiar o seu gabinete em Bruxelas. Têm sido anos de intensa dedicação a um projecto que é Europeu, mas intrinsecamente nacional, na defesa que o Diogo sempre fez dos interesses de Portugal no Parlamento Europeu. Têm sido anos de aprendizagem conjunta, mas, mais do que isso, anos de enorme evolução profissional e pessoal. Profissionalmente, aprendi muitíssimo com o Diogo e com o trabalho que desenvolvemos no Parlamento Europeu e só isso bastaria para fazer hoje um balanço positivo. Mas há mais. Também, a nível pessoal, trabalhar com o Diogo é um privilégio raro, porque há poucos “chefes” que sejam, ao mesmo tempo, tão empenhados, tão exigentes e tão humanos no trato pessoal.

Mas, não ficamos por aqui. Estes foram anos dramáticos para a União Europeia e, por isso mesmo, riquíssimos para a experiência de uma, então, recém chegada. A crise económica e financeira, que lançou o caos em vários Estados-membros, fez com que a UE fosse forçada a repensar a arquitectura da União Económica e Monetária, lançou o debate em torno do reforço da Governação Económica, da possibilidade de emissão conjunta de dívida e da necessidade da construção de uma verdadeira União Bancária. Todos estes temas, essenciais para o futuro da União, foram trabalhados, na Comissão ECON, pela nossa equipa. Também isso foi e continua a ser uma oportunidade única para reflectir sobre que futuro queremos para a UE e que caminho queremos que o projecto europeu siga.

Em jeito de balanço, não posso deixar de me considerar uma privilegiada pela oportunidade que tenho de trabalhar com um Deputado que esteve sempre no ranking dos melhores no Parlamento Europeu. Pela centralidade do trabalho no Parlamento Europeu, aos que continuam e aos que chegam, desejo um óptimo mandato. Estamos no sítio certo para fazer a diferença.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

For she's a jolly good fellow!

Antes que os últimos dias da gravidez e os primeiros de maternidade me levem a mudar de ideias, aqui fica a minha homenagem à miúda mais espectacular que já existiu na vida intra-uterina (pelo menos na minha!).

Não faço ideia do que ela vai ser cá fora e se o bom comportamento fetal se manterá na primeira infância e pela vida fora, mas por agora é justo dizer que foi uma excelente e pouco exigente "passageira na viagem" dos últimos meses. 

Nem um enjoo. Nem um mal estar. Nem uma estria. Nem um inchaço. Nem um dia em que não pudesse fazer a minha vida absolutamente normal. 

Comigo, andou de avião mais vezes do que seria recomendado. E ainda fez kms de carro e comboio. Passeou por essa Europa fora e pela acidentada costa Alentejana. Participou em reuniões intermináveis e preparou documentos, memorandos e relatórios. E tudo sem se vingar em mim, proporcionando-me aquelas adoráveis maleitas que milenarmente associamos à gravidez. Aguentou dias de calor de estalar (sim, na Bélgica!), várias mudanças e muitas caixas e sacos e até quedas pouco prováveis! Portou-se, em todos os momentos, de forma exemplar!

É por ter sido uma excelente companheira de viagem, que a miúda merece este elogio. A ver se para o ano merecerá post semelhante...